Internacional

El Chapo virou pó

A condenação do mexicano, um dos maiores traficantes de todos os tempos, nos EUA, é um alento para suas vítimas, mas não basta para enfraquecer os cartéis de drogas

Crédito: Gerson Nascimento

Assassino, estuprador, traficante e corruptor. O mexicano El Chapo, tido como um dos maiores criminosos do mundo, foi considerado culpado, na terça-feira 12, em todas as dez acusações às quais respondia na Justiça americana. O júri, reunido em Nova York, analisou o caso por dois meses e meio. A condenação deve resultar em pena de prisão perpétua, a ser anunciada em 25 de julho desse ano. Líder do cartel Sinaloa, estima-se que Joaquín Gusmán, nome de batismo do bandido (chapo é um apelido que significa “baixinho”), possa ter acumulado cerca de US$ 14 bilhões ao longo dos anos enviando cocaína, heroína, metanfetamina e maconha para os Estados Unidos.

O julgamento revelou, entre outras coisas, que ele teria pago US$ 100 milhões ao ex-presidente mexicano Enrique Peña Nieto para não ser procurado pelas forças de segurança do país. Além disso, a acusação não poupou o júri dos detalhes das práticas cruéis do cartel: houve relatos sobre inimigos sendo enterrados vivos, a existência de uma “sala de assassinatos” com ralo posicionado no centro para facilitar a limpeza e estupros de meninas de 13 anos cometidos repetidas vezes pelo traficante.
Enquanto El Chapo espera pela sentença, o governo americano preocupa-se em encontrar uma prisão da qual ele não consiga fugir. O criminoso já realizou duas fugas de presídios de segurança máxima no México. A primeira, em 2001, quando escapou pelo carrinho da lavanderia do prédio. Na segunda, em 2015, saiu por um buraco no banheiro do presídio que levava a um túnel cavado por comparsas. Nas duas vezes, ele contou com a conivência de oficiais corruptos. Como nada na história de El Chapo é convencional, acredita-se que ele tenha sido recapturado graças ao rastreamento das comunicações que levaram a um encontro cercado de segredos com o ator americano Sean Penn e com a atriz mexicana Kate del Castillo, que viveu uma rainha do tráfico em um novela americana. Chapo aparentemente aceitou encontrá-los porque tinha um fascínio por Kate (que, no entanto, revelou posteriormente que estava tendo um caso com Penn). Na ocasião, o ator americano fez uma entrevista com o traficante e publicou-a posteriormente na revista Rolling Stones. O criminoso foi encontrado e preso antes que o texto fosse divulgado. Na sequência, ele foi extraditado para os Estados Unidos.

O julgamento revelou propinas a políticos mexicanos, estupros de meninas de 13 anos e que o cartel mantinha salas para assassinatos

De cartéis a cartelitos

Para o americano Douglas Farah, especialista em narcotráfico internacional, a condenação sinaliza para a sociedade que mesmo os mais poderosos criminosos podem ser pegos e julgados. Ele pondera, porém, que isso não levará a um enfraquecimento das organizações criminosas. “Como a história mostra, isso terá um impacto pequeno do tráfico de drogas. As organizações criminosas se fragmentam, mas o comércio continua. Os cartéis se tornam ‘cartelitos’, mas produzem tanto quanto ou mais que os grandes”, diz Farah. A diferença, diz ele, é que a riqueza e o poder não ficam tão concentrados em um punhado de bandidos. Isso diminui a capacidade dos traficantes de corromper altas autoridades.

TRUCULENTO El Chapo com oficiais americanos em janeiro: bilionário e cruel (Crédito:U.S. law enforcement via AP)

No dia seguinte à condenação de El Chapo, o senador americano Ted Cruz fez uma proposta “interessante”, nas palavras do presidente Donald Trump, a respeito do que pode ser feito com o confisco do patrimônio do traficante: financiar a construção do muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México. Não há ligação direta do caso de El Chapo com a questão da imigração clandestina — razão principal pela qual Trump pretende construir o muro. Do ponto de vista político, isso faz pouca diferença. “A maioria das pessoas acompanham essa história como uma telenovela, como se isso não as afetasse diretamente”, diz Douglas Farah. Resta então, acompanhar as cenas dos próximos capítulos.

Os números do condenado

> Em 2014 foi acusado de ter ordenado de 2 a 3 mil assassinatos

> Seu cartel tem lucros de 3 bilhões de dólares por ano

> Estima-se que, em 15 anos, traficou para os EUA 120 toneladas de cocaína

> Fugiu de prisões de segurança máxima 2 vezes

> Figurou na lista de bilionários da Forbes por 4 anos (2009, 2010-2012)


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