Comportamento

Educação sexual e anticoncepcionais doados ajudam a evitar gravidez precoce na Venezuela

Educação sexual e anticoncepcionais doados ajudam a evitar gravidez precoce na Venezuela

Deiglis, de 17 anos, espera com seu bebê por sua vez em uma clínica dos Médicos Sem Fronteiras em Vidoño, Venezuela, em 17 de março, para receber um implante hormonal que a protegerá de outra gravidez por cinco anos - AFP


“Você não está grávida!”: Deiglis respira aliviada ao ouvir a notícia. Ela tem 17 anos e já é mãe de um bebê de cinco meses. Outro filho não está em seus planos, mas ela não tem dinheiro para comprar anticoncepcionais, inacessíveis para a maioria dos venezuelanos.

A gravidez precoce na Venezuela anda de mãos dadas com a pobreza, que disparou com a crise. Nos bairros e cidades rurais, é cada vez mais comum a ausência de educação sexual e reprodutiva, e mais ainda de oferta pública de métodos contraceptivos.

Deiglis, por exemplo, pegou três ônibus para chegar à clínica da ONG Médicos Sem Fronteiras na cidade de Vidoño (Azoátegui, leste) para receber um implante hormonal subcutâneo gratuito, que evita outra gravidez por cinco anos.

“Não tenho dinheiro para comprar, é muito caro”, sussurra a menina à AFP sobre o tratamento que custa 10 dólares, quatro vezes o valor do salário mínimo.

A clínica “Amigos pela Saúde”, administrada inteiramente pelo MSF, atende principalmente jovens vulneráveis como Deiglis. “Temos cinco métodos contraceptivos: preservativo feminino, preservativo masculino, pílulas combinadas, injeções de progesterona e implantes”, detalha a médica Lucía Brum.


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– Muitas adolescentes –

Para receber o dispositivo, Deiglis precisou passar por um teste rápido para descartar uma nova gestação. Essa é uma exigência, porque na Venezuela o aborto é ilegal, permitido apenas se for essencial para salvar a vida da mãe. As penas para essa prática variam de seis meses a dois anos de prisão.

“Sua última relação sexual foi com ou sem proteção?”, pergunta a enfermeira Érika Fernández em tom maternal, enquanto registra o histórico de Deiglis.

“É forte, fico muito impressionada com as menores de idade”, conta a profissional de 41 anos, que não consegue conter as lágrimas ao falar das meninas grávidas que procuram a clínica.

O poder de compra sumiu na Venezuela, país que atravessa seu oitavo ano de recessão e o quarto de hiperinflação, onde o dólar foi imposto como moeda de fato.

Uma caixa de pílulas anticoncepcionais varia de 10 a 25 dólares, enquanto uma injeção custa cerca de 11 dólares, quantias que muitos não ganham nem com um mês de trabalho.

“Ou como ou compro meu método contraceptivo”, afirma Maria Caraballo, uma professora do ensino médio de 26 anos, mãe de um bebê de oito meses, que recebe uma injeção a cada três meses para evitar ficar grávida de novo.

Em sua sala de aula, relata, viu “várias adolescentes de 13, 14 anos grávidas”. “Muitos pais têm vergonha de sentar e conversar com os filhos”, diz Caraballo, que também leva quatro preservativos para seu marido.

Segundo Magdymar León, coordenadora da Associação Venezuelana de Educação Sexual Alternativa, uma pesquisa realizada entre outubro e dezembro de 2020 pela ONG revelou que 60% das garotas entrevistadas não tinham quaisquer informações sobre métodos anticoncepcionais.

– “Muita ajuda” –

O presidente Nicolás Maduro reconheceu que existe um “problema” de gravidez precoce, embora não sejam divulgados dados oficiais sobre o fenômeno.

Um relatório do Fundo de População da ONU de 2019 fala em 95 nascimentos a cada mil de mães adolescentes entre 15 e 19 anos.

Das mais de 10.082 consultas de saúde sexual e reprodutiva atendidas pelos “Amigos pela Saúde” em 2020, 30% envolveram adolescentes.

As adolescentes gestantes “precisam de muita ajuda”, explica a enfermeira. A consulta “se direciona à mãe e à filha”.

O ambulatório às vezes não dá conta de pacientes que chegam de cidades vizinhas, prova dos problemas de atendimento no sistema público de saúde, colapsado pela pandemia.

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