Eduardo Bolsonaro compara Pix a Zelle e gera críticas

Ex-deputado compara sistemas de pagamentos, gerando repercussão política em meio a investigação dos EUA e críticas de Lula à família

Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro Foto: REUTERS/Jessica Koscielniak

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro gerou críticas nas redes sociais ao comparar o Pix ao sistema de pagamentos Zelle, utilizado nos Estados Unidos, durante entrevista à emissora TMC. A declaração, que ganhou repercussão entre apoiadores e adversários políticos, ocorre em um momento de crescentes tensões diplomáticas entre Brasil e EUA, com Washington investigando o sistema Pix.

O que aconteceu

  • Eduardo Bolsonaro comparou o Pix ao Zelle, sistema de pagamentos americano, gerando críticas e debates nas redes sociais.
  • Os Estados Unidos investigam o Pix, citando o sistema 20 vezes em um relatório que questiona a concorrência e a atuação do Banco Central.
  • As relações entre Brasília e Washington se deterioram após proposta americana de novas tarifas, apesar de um acordo anterior para resolver divergências.

Ao comentar a investigação comercial aberta pelo governo americano contra práticas brasileiras, Eduardo Bolsonaro afirmou que o Brasil possui argumentos para contestar as críticas feitas ao sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central.

Segundo o ex-deputado, os Estados Unidos utilizam mecanismos semelhantes ao Pix. “Os EUA têm mecanismos muito semelhantes ao Pix. Como por exemplo o Zelle. O Pix dos Estados Unidos é o Zelle. Então, dá para você ir para a mesa de negociação dos americanos com bons argumentos. Dá para sentar, dá para negociar. Eles têm interesses que se complementam, como terras raras”, declarou.

Repercussão política e o embate com lula

A entrevista passou a circular amplamente nas redes sociais, especialmente entre apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Integrantes da base governista passaram a compartilhar o vídeo alegando que Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro estariam alinhados aos interesses do governo americano nas discussões envolvendo o sistema financeiro brasileiro.

O episódio ocorre em meio ao embate entre Brasília e Washington após a proposta de ampliação de tarifas sobre produtos brasileiros. Nos últimos dias, Lula elevou o tom das críticas contra a família Bolsonaro e classificou os irmãos como “traidores da pátria”. Ao comentar a atuação de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, o petista também o chamou de “imbecil”.

“Ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar é o povo brasileiro”, afirmou o presidente.

Por que o pix está no radar dos estados unidos?

O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos aparece entre os principais alvos do relatório elaborado pelo escritório do representante comercial dos Estados Unidos (USTR). No documento de 107 páginas que embasa a proposta de novas tarifas contra produtos brasileiros, o Pix é citado 20 vezes.

Segundo o relatório, o Banco Central teria adotado medidas que favorecem diretamente o sistema, criando barreiras à concorrência. Entre os pontos questionados pelos americanos estão a obrigatoriedade de participação de instituições financeiras no Pix, a exigência de destaque ao sistema em plataformas bancárias e a gratuidade das operações para pessoas físicas.

Cenário de atrito entre as nações

As críticas provocaram desconforto no Palácio do Planalto. O anúncio foi feito menos de um mês após um encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, quando ambos concordaram em criar um grupo bilateral de trabalho para tentar resolver divergências comerciais em até 30 dias.

Apesar da expectativa do governo brasileiro de redução das tensões, houve apenas uma reunião ministerial desde então. Em vez de um avanço nas negociações, a administração americana apresentou uma proposta de aumento das tarifas, ampliando o desgaste diplomático entre os dois países.