Economia

Economistas veem retomada mais rápida, mas alertam a riscos do fim do ano

Economistas que participaram nesta segunda-feira, 6, de uma live promovida pela Fundação Getulio Vargas (FGV) observaram que os indicadores mais recentes sugerem uma recuperação mais rápida do que se previa da economia no segundo semestre.

Mesmo assim, eles alertaram que há dúvidas sobre como a economia global, em especial o Brasil, vai se comportar, a partir do quarto trimestre, com a retirada dos estímulos emergenciais lançados pelos governos no enfrentamento dos impactos da pandemia do coronavírus.

Para Paulo Miguel, sócio do Julius Baer, o terceiro trimestre vai ser “muito forte” e indicadores antecedentes sugerem que a economia global terá recuperado metade das perdas causadas pelo coronavírus. Isso tem permitido, segundo ele, uma “primeira fase de descompressão”, depois do choque pesado da pandemia no primeiro e, sobretudo, segundo trimestre.

“A percepção de ‘V’ hoje é mais forte. A dúvida é o que vem depois, com programas emergenciais sendo retirados, e nem todo emprego tendo voltado. No segundo momento, o ‘V’ pode se aplainar um pouco”, comentou Paulo Miguel durante webinar da Escola de Economia de São Paulo da FGV.

A professora do Insper Juliana Inhasz concordou que a reação no terceiro trimestre tende a ser forte, porém advertiu que o ultimo trimestre do ano pode guardar surpresas negativas com o fim dos pacotes emergenciais.

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Já o professor da FGV Marcelo Kfoury Muinhos, “anfitrião” do evento, considerou exagerada a previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) que aponta para uma retração de 9% da economia brasileira neste ano.

“Talvez a economia não cresça como um foguete como o Paulo Guedes ministro da Economia diz, mas também acho exagerada a queda de 9% prevista pelo FMI. Penso em queda de 7%, talvez 6%, e muito concentrada no segundo trimestre, onde o PIB deve cair 10%”, comentou o economista, que vê abril como o fundo do poço da recessão deste ano.

Segundo Kfoury, a recuperação da economia brasileira deverá ter forma parecida com a reação apresentada após a crise financeira de 2008, e diferente da recessão prolongada de 2015 a 2016, quando houve oito trimestres consecutivos de contração da atividade.

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