O mês de março de 2026 marca uma das maiores ofensivas de educação ambiental por meio do cinema no país. A Mostra Ecofalante, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e a Agência Nacional das Águas (ANA), promove uma série de exibições e debates sob o eixo temático “Cine Água”. A ação, que se estende até 4 de abril, utiliza o cinema como ferramenta para sensibilizar estudantes e a sociedade sobre a água não apenas como recurso, mas como um direito humano essencial.
Resumo das ações
Mostra cine água (nacional): sessões de 22 de março a 4 de abril em parceria com o MMA e Circuito Tela Verde.
Eixo temático: preservação hídrica, emergência climática, gênero, raça e justiça socioambiental.
Destaques da curadoria: filmes premiados como “A Menina e o Mar” e obras de diretoras renomadas como Mari Correa (causa indígena).
Acesso gratuito: professores podem solicitar sessões via plataforma Ecofalante Play.
A campanha deste ano está alinhada ao tema global “Água e Gênero”, sob o lema “Onde a água flui, a igualdade cresce”. O objetivo é destacar como o acesso ao saneamento e à água potável são pilares indispensáveis para a igualdade de gênero e a dignidade humana.
Capilaridade regional e curadoria premiada
A mostra desdobra-se em frentes específicas para atender às realidades locais:
No Distrito Federal: foco na Semana da Conscientização do Uso Sustentável da Água, com filmes disponíveis para o ensino fundamental e médio.
Em São Paulo (Estado): parceria com a SEMIL voltada aos municípios do programa Município VerdeAzul.
Em São Paulo (Capital): a mostra “Narrativas do Clima” leva o debate para dentro dos CEUs e escolas municipais, conectando o território urbano aos caminhos das águas.
A curadoria reúne 19 produções realizadas entre 2011 e 2025, com obras do Brasil, Bolívia e México. Entre os destaques estão o premiado curta “A Menina e o Mar” (Prêmio Grande Otelo 2024) e a animação “Aurora – A Rua Que Queria Ser um Rio”, que já acumulou mais de 20 prêmios internacionais.
Ecofalante Play: o cinema na palma da mão do educador
Para garantir que a mensagem chegue a todos os cantos do país, a plataforma Ecofalante Play disponibiliza seu acervo gratuitamente para professores e instituições de ensino. O streaming educacional permite que educadores organizem suas próprias sessões, utilizando materiais pedagógicos que dialogam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
Os filmes
“A Menina e o Mar” (Brasil, 2022, 18 min) – dir: Gabriel Mellin
O filme conta a história do encontro de duas crianças, um menino e uma menina, que possuem formas completamente diferentes de enxergar o mundo. Ele, com medo do que as águas do mar podem trazer, e ela, que encontra poesia em cada grão de areia, aprendem juntos, que para apreciar a vida, basta se entregar aos sentidos. É nessa conexão que nasce uma história de superação, lições e uma experiência transformadora.
“Abuela Grillo” (Bolívia, 2012, 13 min) – dir: Denis Chacon
Uma história contada milenarmente pelo povo Ayoreo, da Bolívia. Dizem eles que, no princípio, havia uma avó, que era um grilo chamado Direjná. Ela era a dona da água e, por onde quer que ela passasse com seu canto de amor, a água brotava.
“Águas Turvas” (Brasil, 2023, 7 min) – dir: Gabriel Panazio e Kleber Leão
Localizada na famosa Baía de Guanabara, a Z10 é uma das mais antigas e tradicionais colônias de pesca do país. Neste documentário, acompanhamos a história de Zezinho, um pescador desta comunidade histórica, cuja vida é drasticamente alterada pela crescente poluição marinha. Com a diminuição dos peixes, Zezinho e seus colegas enfrentam uma crise de sustento e identidade. Numa reviravolta inspiradora, eles reinventam suas práticas, transformando-se de pescadores em guardiões do oceano. Ao ‘pescarem’ lixo, não apenas encontram um novo meio de subsistência, mas também emergem como figuras centrais na luta pela preservação ambiental. Este curta-metragem é uma jornada visual e emocional, destacando a resiliência humana diante de adversidades ambientais, e a capacidade da comunidade de encontrar soluções criativas para problemas globais.
“Aurora – A Rua Que Queria Ser um Rio” (Brasil/Islândia, 2021, 10 min) – dir: Radhi Meron
Animação. Se as ruas pudessem falar, o que diriam? Aurora é uma triste e solitária rua de uma grande cidade. Em um dia de chuva forte, ela relembra sua trajetória, sonha com o futuro e se pergunta: é possível uma rua morrer.
“Barra Nova” (Brasil, 2022, 11 min) – dir: Diego Maia
Barra Nova é uma praia no Nordeste do Brasil onde rio e mar se encontram e transformam a paisagem diariamente. É um mergulho no ciclo da vida pelo ponto de vista de uma garotinha.
“Chuva” (Brasil, 2025, 3 min) – dir: Vanessa Fort
Por meio de seus desenhos, Aurora mostra onde vivia com a família até que um dia veio uma tempestade que colocou medo em todos. Com a ajuda de várias pessoas, ela e sua família estão reconstruindo sua casa e sua comunidade.
“Conexão Água” (Brasil, 2024, 11 min) – dir: Flavio Barollo
Documentário que parte da existência de um córrego urbano soterrado na cidade de São Paulo, o Água Preta, para estabelecer conexões espaciais, ambientais e humanas promovidas pela água: São Paulo e Buenos Aires, estudantes e moradores em situação de rua, escassez e abundância. Uma aula em uma viela, uma nascente que forma um lago e o encontro com a realidade de quem não tem teto e consequentemente não tem torneira. “Conexão Água” é um chamado à consciência socioambiental e à ação comunitária.
“Das Crianças para o Mar” (Brasil, 2025, 7 min) – dir: Felipe Barquete
Para as crianças da comunidade da Penha (PB), o mar não apenas quebra na areia; ele sente, canta e conta histórias para quem sabe ouvir.
“Entre Rios” (Brasil, 2011, 30 min) – dir: Caio Silva Ferraz
O documentário conta a história da cidade de São Paulo sob a perspectiva de seus rios e córregos. Entre Rios fala sobre o processo de transformação sofrido pelos cursos d’água paulistanos e as motivações sociais, políticas e econômicas que orientaram a cidade a se moldar como se eles não existissem.
“São Paulo Pede Água – episódio 1: História do Abastecimento de Água em São Paulo” (Brasil, 2025, 26 min) – dir: Sérgio Gag
Desde as primeiras fontes e chafarizes que abasteciam a pequena vila colonial até os complexos sistemas que hoje sustentam uma das maiores metrópoles do mundo, este episódio percorre a
história do abastecimento de água em São Paulo e revela como o acesso à água moldou a expansão urbana, a saúde pública e as desigualdades sociais da cidade. Ao longo do tempo, rios foram canalizados, nascentes desapareceram e grandes obras de engenharia transformaram paisagens inteiras para garantir água a uma população em crescimento acelerado. Entre períodos de abundância e crises hídricas marcantes, o episódio mostra como decisões técnicas, políticas e econômicas definiram quem teve — e quem ainda tem — acesso à água.
“La Bolsita de Agua Caliente” (México, 2024, 8 min) – dir: Yuliana Brutti
Catalina descobre que o que ela achava que seria a noite mais entediante de sua vida acaba se transformando na melhor aventura de todas. A relação com sua avó abre a porta para um mundo maravilhoso, na forma de uma gigantesca bolsa de água quente vermelha.
“Lagrimar” (Brasil, 2024, 14 min) – dir: Paula Vanina
Sozinha e rodeada pela seca, Joana é uma menina que vive em busca de água.
“Lulina e a Lua” (Brasil, 2023, 14 min) – dir: Alois Di Leo e Marcus Vinícius Vasconcelos
Lulina desenha seus maiores medos sobre o branco infinito do solo da Lua. Magicamente, suas ilustrações ganham vida, revelando que os monstros que assombram seus pensamentos são, na verdade, menos aterrorizantes do que a sua imaginação os pintava.
“Manual das Crianças Huni Kuĩ: Dia de Pesca e de Pescador” (Brasil, 2020, 4 min) – dir: Mari Correa
Crianças vão pescar e brincar.
“Maré Braba” (Brasil, 2023, 7 min) – dir: Pâmela Peregrino
Ela, que conecta a todos pelas suas águas, observa e opera as mudanças decorrentes do aquecimento global. O povo à beira-mar é o primeiro a sentir suas agitações e mudanças de humor. Ela sabe que os humanos estão se movendo para frear essas mudanças. Assim como ela sabe, que repetem uma antiga saga: alguns poucos prevalecendo sobre o grande restante, aprofundam os problemas criados por eles mesmos.
“Para Pirapetinga” (Brasil, 2019, 14 min) – dir: Felipe Barquete
Entre o silêncio das memórias e o ruído do progresso, os estudantes de Pirapetinga (MG) escrevem uma carta de denúncia e esperança pela cura do rio da cidade e o renascimento do seu guardião, o Peixe Branco.
“Rio de Memórias” (Brasil, 2019, 4 min) – dir: Felipe Barquete
As crianças do quilombo Gurugi-Ipiranga (Conde/PB) te convidam para uma imersão audiovisual nos rios e nas memórias da comunidade sobre um modo de vida integrado com a natureza.
“Rio Tamanduateí” (Brasil, 2022, 5 min) – dir: jovens participantes do Projeto de Educomunicação Água, Câmera e Ação, equipe técnica do Instituto Social Cultural Brasil e Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André (SEMASA)
Filme desenvolvido no estilo de um documentário com encenação, com personagens que trazem reflexões sobre o Rio Tamanduateí. Um diálogo entre uma professora, que teve contato com o rio antigamente e uma aluna, que curiosa busca entender o contraste do rio ontem e hoje. Tem como base a importância do Rio Tamanduateí e uma breve história dentro do aspecto do sistema hídrico.
“Uma Menina, um Rio” (Brasil, 2025, 7 min) – dir: Renata Martins Alvarez
Seguindo o fluxo incessante de um rio, uma menina inicia sua jornada de descobertas ao acompanhar suas águas. A cada passo, o curso do rio reflete sua própria transformação: da infância à adolescência, da juventude à maturidade. Entre brincadeiras, encantamento e encontros, ela testemunha a abundância da natureza, a força da fertilidade, os sinais do tempo e do desgaste da vida. O peso das memórias, assim como os resíduos que marcam o rio, se acumulam. Ao final do percurso, já idosa, entrega-se ao oceano, encerrando o ciclo da existência com a serenidade de quem se deixa levar pela correnteza, ciente de que o mar é o destino de todas as coisas.