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EBC firma cooperação com a China para compartilhamento de conteúdos

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e o China Media Group (CMG) assinaram na tarde desta quarta-feira (13), em Brasília, um acordo de cooperação para troca de programas, compartilhamento de conteúdos, produção conjunta, transmissão cooperativa, formação pessoal e intercâmbio tecnológico.

O CMG é o grupo estatal criado em 2018 como resultado da fusão da Televisão Central da China (CGTN, em inglês), a Rádio Nacional da China e a Rádio Internacional da China. O acordo firmado substitui e amplia termo de cooperação anterior entre a EBC e a CGTN – assinado em 2015 e prorrogado em 2017 -, e tem validade de 60 meses (5 anos) e não prevê repasse de recursos.

O grupo chinês é o maior conglomerado de comunicação do mundo em escala de operações: opera 47 canais de TV (com conteúdo em seis idiomas e alcance de 162 países), 17 emissoras de rádio e produção de conteúdo radiofônico em 44 idiomas. Além de rádio e TV, o CMG administra três sites de notícia e 20 jornais e revistas de circulação nacional.

Em discurso, durante a assinatura do acordo que ocorreu na sede da EBC, o presidente do CMG, Shen Haixiong, afirmou que a orientação de firmar o convênio com a EBC partiu do presidente chinês, Xi Jinping.

“[Ele] disse que devemos promover o intercâmbio entre povos, reforçar a cooperação no setor cultural, impulsionar o intercâmbio em futebol e na medicina tradicional chinesa, duas áreas características de ambos”, disse Haixiong.

“Sendo veículo de imprensa, nós temos essa missão importante de aprofundar a amizade e o conhecimento mútuo entre povos e promover o intercâmbio e a cooperação em todas as áreas. Por isso, estamos em momento oportuno para as mídias dos dois países iniciarem a cooperação de benefício recíproco”, explicou.

Parceria

A parceria com os chineses foi festejada pelo diretor-presidente da EBC, Luiz Carlos Pereira Gomes. Em discurso, ele assinalou que “a cobertura de grandes eventos jornalísticos de forma conjunta, com troca de matérias jornalísticas, bem como possibilidade de veiculação de programação que promova os valores sociais e culturais de nossos países, também se constituem em importantes áreas a serem exploradas nesta parceria”.

Em conversa com jornalistas, o presidente da EBC disse que a iniciativa do acordo foi do governo chinês e tem caráter estratégico. “É uma oportunidade de projetar [nosso] país em outro país sobre as nossas riquezas, sobre o nosso turismo, sobre a parte educacional. Tudo isso contribui para o Brasil ganhar, para crescer e ser mais respeitado no concerto das nações”.

Para o presidente da EBC, as produções televisivas e de outros meios podem ajudar a agregar valor à pauta comercial do Brasil com a China. “Nós exportamos commodities, o retorno é muito pouco. Nos importamos deles produtos industrializados, aí vem o 5G [futura geração de telecomunicação móvel] a reboque. Então essa balança está desigual. Motivo do presidente [Jair] Bolsonaro passar na China foi a gente começar agregar valor.”

Luiz Carlos Gomes, que morou na China em 2005, quando estudou na Universidade de Defesa Nacional, reforçou a importância da EBC. “Como empresa de comunicação pública, nós somos estratégicos para o país, pela radiodifusão pública, isso tudo indica poder. Quem tem a comunicação hoje tem poder”.

Streaming

A assinatura do acordo entre EBC e CMG ocorre em meio a diversas reuniões bilaterais que fazem o governo brasileiro e chinês na véspera do 11º Encontro de Cúpula do Brics, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

O CMG também assinou um termo de cooperação com o Ministério das Cidades, na sede da EBC. Entre as possibilidades de parceria, há a ideia de criação de um canal de streaming para circulação de produções de cinema do Brasil e da China. “O cinema chinês está entre os melhores do mundo e é uma referência estética e plástica. É um cinema muito bonito”, defendeu Osmar Terra, ministro da Cidadania.