A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, assegurou nesta quinta-feira (19) que “é preciso saber pedir perdão” após sancionar a histórica lei de anistia, que o Parlamento aprovou momentos antes e deve se refletir na libertação maciça de presos políticos.
“É preciso saber pedir perdão e também é preciso saber receber o perdão”, disse Delcy no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, constatou a AFP.
Delcy firmou o documento no palácio presidencial de Miraflores momentos depois de sua aprovação unânime no Parlamento. “Foi um ato de grandeza”, considerou.
A lei é uma iniciativa de Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência de forma interina após a captura de Nicolás Maduro em uma incursão militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro.
Segundo a ONG Foro Penal, 448 opositores foram postos em liberdade condicional desde 8 de janeiro, quando teve início um processo de soltura a conta-gotas.
Ainda há 644 atrás das grades na Venezuela, contabiliza a ONG.
Delcy pediu a “revisão de casos não contemplados na lei de anistia” para “curar feridas, para reconduzir a convivência democrática”.
“Estamos abrindo novas alamedas para a política na Venezuela”, ressaltou.
A lei especifica 13 momentos-chave dos 27 anos de chavismo no poder, o resultado de árduas discussões fora do hemiciclo.
Vai desde o golpe de Estado ao popular e falecido presidente Hugo Chávez e a greve petrolífera de 2002, até os protestos contra a questionada reeleição de Maduro em 2024.
Seus críticos argumentavam que a anistia deve abranger os 27 anos de chavismo sem exceções.
É uma lei para “que a Venezuela aprenda a conviver democrática e pacificamente”, considerou a presidente interina.
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