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“É preciso desmistificar o investimento offshore”, afirma Antonio Freixo, há 33 anos no mercado financeiro

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Freixo ressalta que a lei permite uma série de investimentos fora do Brasil e garante que é um mercado de pessoas sérias que trabalham corretamente e possuem ativos no exterior (Crédito: Divulgação)

O convidado do novo episódio do MoneyPlay Podcast, programa voltado para o mundo das finanças, apresentado pelo educador financeiro Fabrício Duarte, é Antonio Freixo, sócio na Entre Investimentos e Participações e membro do conselho de administração da Leads Securitizadora. 

Formado em Administração de Empresas e com mais de 33 anos de experiência no mercado financeiro, ele já passou pelo Credit Suisse, Banco Garantia, Banco do Brasil e Banco Nacional. No episódio, ele fala sobre como era empreendedor desde criança, a experiência no Banco Garantia e o mercado brasileiro de offshore.

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Quando pequeno, Freixo passava muito tempo na rua onde morava, em Pouso Alegre, cidade do interior de Minas Gerais. Sua avó, preocupada, tentava estimulá-lo a criar algum tipo de negócio para ocupar seu tempo. Então, ele começou a vender o jornal que coletava na vizinhança para o açougue. “Vendia por quilo e fazia uma grana”, relembra. 

Foi aí que o governo baixou uma lei que obrigava a embalar carne apenas em papel rosa com plástico. “Foi a primeira vez que eu quebrei”, diz. Mas não foi o suficiente para acabar com seu espírito empreendedor. Logo em seguida, começou a vender garrafa, papagaio (pipa) e sacolé (chupa-chupa, gelinho ou geladinho). “Sempre tive esse negócio de ter o meu dinheiro, minha cabeça sempre foi de empreendedor.”

Em seguida, foi promovido a “vigia de revista” da banca de jornal de um primo, quando tinha quase 11 anos. “A minha função era ficar do lado da pessoa olhando para ver se comprava ou fechava a publicação.”

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Emprego formal

Com quase 14 anos, Freixo foi contratado como office-boy em uma agência do Banco Nacional em Santa Rita do Sapucaí, cidade vizinha à sua. Quem o contratou foi o gerente da agência que, anos antes, havia sido office-boy de seu avô quando ele abriu o primeiro Banco Hipotecário em Pouso Alegre. “Achava o máximo com essa idade já ter talão de cheque”, diz. 

Ele passou por várias áreas do banco até assumir o cargo de operador de crédito rural, o último passo para virar subgerente do banco. Mas decidiu dar um passo atrás e voltar como estagiário no Banco do Brasil. “Era o melhor emprego no interior na época para quem queria trabalhar em banco.”

Durante a faculdade, Freixo se mudou para São Paulo e foi trabalhar como estagiário no Banco Garantia. Entrou como liquidante, foi para a tesouraria, operações, mesa de câmbio (como controller) e trabalhou com um dos sócios em outra parte de ativos do banco até a instituição montar uma tesouraria internacional nas Bahamas. 

“Tinha uma ponta que cuidava dos ativos, mas tudo era muito novo, um mercado muito diferente”, diz. Como não falava inglês na época, Freixo contratou um estagiário que havia morado fora para ajudá-lo no contato com os clientes.

Negócio internacional

O foco da área eram os clientes high (acima de cinco milhões de dólares) e ultra-high (acima de 30 milhões de dólares). E, apesar da imagem que a maioria das pessoas ainda tem sobre esse tipo de investimento, ele garante que é um mercado de pessoas sérias que trabalham corretamente e possuem ativos. 

“É preciso desmistificar esse negócio”, afirma. “A lei permite que a gente faça uma série de investimentos e o Banco Central já havia mudado um pouco a política de investimentos no exterior em 2004.”

Freixo acredita que o mercado brasileiro, em questões de legislação e organização, é um dos melhores do mundo, mas ainda é um mercado de poucos produtos. E os produtos mais sofisticados são acessíveis apenas ao investidor qualificado profissional, o que limita muito a gama dos investidores brasileiros. 

Negócio próprio 

Depois que o administrador deixou o Banco Credit Suisse, que havia comprado o Garantia, ele criou a Entre Investimentos, que presta serviço de consultoria na documentação de operações de câmbio para clientes.

Hoje, ele investe em empresas em que pode gerar algum valor. Tem participação em várias empresas do mercado. A ideia, explica, é colocar dinheiro em ativos que consiga ter um ganho melhor do que o CDI, como crédito não performado, ou deixar o dinheiro parado num determinado fundo.

“Não gosto muito de fundo, a não ser fundo exclusivo que você dedica e traça mais ou menos o que você quer fazer. Gosto realmente de negócios que geram emprego”, diz. “Além do retorno financeiro, você constrói alguma coisa. Não é simplesmente deixar dinheiro em algum lugar ou ficar apostando igual cassino na bolsa.” 

>>> Confira aqui todos os episódios do programa.