Cultura

E os cidadãos criaram Paris

Em “A Invenção de Paris”, o historiador Eric Hazan mostra por que a cidade manteve a beleza e a harmonia apesar de todas as perturbações que sofreu em sua história

Casal em um café (1932), de Brassaï: a fotografia nasceu em Paris

Paris é um modelo de inspiração literária, glamour e beleza arquitetônica e cultural. Mas, segundo o escritor francês Eric Hazan no álbum “A Invenção de Paris — A cada passo uma descoberta”, lançado pela editora Estação Liberdade, a história e a estrutura da capital da França são fundadas menos no planejamento que numa criação coletiva que resolve problemas de cada geração sem deslizar para o caos.

O crescimento da cidade se mostra regular, conforme exibem as centenas de fotografias, mapas e ilustrações do volume. Os mapas evidenciam que ela cresceu com a derrubadas de três muralhas, e desde então tem-se expandido do centro para as periferias. As muralhas de Felipe Augusto, construídas no ano 1180 deram lugar em 1670 às de Luís XIV, e estas às de Luís XVI, em 1874. Seus vestígios podem ser rastreados ainda hoje, mesmo que a cidade tenha se tornado aberta depois da Revolução Francesa. “Em todo o Ocidente, nenhuma capital se desenvolveu como Paris, de maneira assim descontinuada, num ritmo tão irregular”, diz Hazan. “E o que impulsionou esse ritmo foi a sucessão centrífuga das muralhas da cidade.”

Passeantes

Em contraposição às megalópoles que crescem em desordem, Paris manteve uma forma harmoniosa. Hazan afirma que a melhor forma de narrar a história da cidade não deve se basear nem na cronologia ou nos pontos cardeais, e sim no tempo descontínuo oculto sob as muralhas.

“Nenhuma capital se desenvolveu como Paris, de maneira assim descontinuada, num ritmo tão irregular”. Eric Hazan, escritor

Acompanhando as muralhas, Hazan divide o livro se divide em três partes: os primeiros bairros medievais, a construção dos faubourgs (subúrbios luxuosos) — como o Saint-Honoré e Montparnasse — da capital clássica e finalmente a incorporação à Paris romântica das aldeias repletas de plantações e moinhos, como Grenelle, Belleville e Montmartre. É nesse palco circular que se desenrolam os revoluções políticas e sociais, o avanço técnico e arquitetônico e as turbulências artísticas e literárias, com seus personagens, de protagonistas a coadjuvantes.

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Nada parece abalar o equilíbrio urbano, nem mesmo as barricadas de 1848, 1871 e 1968 — um “artifício cenográfico” mais do que uma tática efetiva, segundo Hazan. Paris parece ter sido feita para os passeantes (“flâneurs”) descritos por escritores ao longo dos anos, entre eles Rousseau, Balzac e Baudelaire. As galerias repletas de espelhos atraem damas e oficiais no início do século 19, que circulam pelas lojas. “A maioria dos homens passeia por Paris como se alimenta, como vive, sem pensar no que está fazendo…”, escreve Balzac. Baudelaire se encanta pelo dândi anônimo na multidão que se avoluma em 1850. “O amante da vida universal entra na multidão como num imenso reservatório de eletricidade”, como se estivesse noite e dia diante de um espelho. Os cidadãos são flagrados e registrados namorando, protestando, dançando. Afinal, Paris é a primeira cidade a ser capada pelas câmeras. “A fotografia começa em Paris”, afirma Hazan. E de seus círculos parece que não sairá jamais.

Fotos: Collection Centre Pompidou, dist. rmn/Philippe Migeat; BNF, Charles Neyt; Gerorg-Emmanuel Opiz; Hippolyte Bayard; Paris; Reprodução; Musée d’Orsay/Hervé Lewandowski; Musée Carnavalet

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