Esportes

‘É minha Olimpíada’: Italiano supera decepção e fatura ouro


TÓQUIO, 1 AGO (ANSA) – Um pedaço de gesso na pista simboliza a superação alcançada por Gianmarco Tamberi, novo campeão olímpico do salto em altura, ao lado do catariano Mutaz Essa Barshim.   

Era 15 de julho de 2016, 20 dias antes do início oficial das Olimpíadas do Rio de Janeiro, quando o astro do atletismo azzurro sofreu uma lesão nos ligamentos do tornozelo durante uma competição em Mônaco e acabou cortado do megaevento, no qual entraria como favorito ao ouro.   

Na época, Tamberi fez publicações emotivas nas redes sociais e chorou ao assistir a uma eliminatória de sua prova no Engenhão durante as Olimpíadas. Mas se viveu a tristeza pela lesão com a intensidade típica dos latinos, o saltador também não se deixou abalar.   

Escreveu “Rumo a Tóquio 2020” [que depois viraria 2021] no gesso que imobilizou sua perna às vésperas da Rio 2016 e prometeu: “Voltarei mais forte”. Por um período, parecia que a promessa não seria cumprida. Tamberi sofreu com lesões no último ciclo olímpico, que também ficou marcado por resultados inconsistentes.   

Ainda assim, chegou a Tóquio como candidato ao pódio e não decepcionou. Conhecido pelo estilo excêntrico, Tamberi desta vez não se apresentou com a barba feita pela metade nem com o cabelo descolorido, como de costume, mas manteve a postura divertida, com meias de cores diferentes e bandeirinha italiana pintada no braço.   

A cada salto, pedia as palmas do pequeno público presente no estádio – apenas delegações oficiais -, e só foi errar quando o sarrafo estava em 2m39, assim como Barshim. “Essa é a minha Olimpíada”, disse o azzurro para uma câmera durante a competição Os dois ainda foram questionados se queriam prosseguir até que houvesse um desempate, mas decidiram dividir o ouro. Já o bronze ficou com o bielorrusso Maksim Nedasekau, que também saltou 2m37, mas havia errado algumas tentativas anteriores.   

Após o resultado, Tamberi foi tomado pela emoção: abraçou Barshim, deitou no chão, se derramou em lágrimas, foi cumprimentado por outros competidores e se ajoelhou perante o gesso que marcara a maior decepção de sua carreira.   

“Não posso acreditar, passei por infinitas dificuldades, mas consegui, venci as Olimpíadas”, disse o saltador à emissora RaiSport. “É algo estratosférico, não vou dormir nunca mais”, acrescentou Tamberi, que, como havia prometido, voltou mais forte. (ANSA).   

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