PANDEMIA * 2020

É evidente que esse homem está doente

O presidente está com tosse. E Jair Bolsonaro com tosse é como um Frank Sinatra às avessas. É desagradável e desafinado. Alguma coisa está acontecendo e, seja o que for, Bolsonaro estava pelo menos resfriado no domingo 19, quando fez seu mais recente discurso golpista em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília. Ninguém que não esteja doente perde o controle da tosse daquele jeito, a ponto de abandonar um discurso. Foi uma tosse seca e incontida, como outras que ele tem soltado em seus passeios. Não foi um engasgo. Sem qualquer preconceito com a tosse, algo que pode ser confundido com o contágio pelo coronavírus nesses tempos de pandemia, a de Bolsonaro passou dos limites. No mínimo ele sofre de uma infecção leve. Anda mais abatido e inchado.

Crédito: Gabriela Bilo

Se não fosse presidente não haveria problema, todos estão sujeitos a ficar doentes. Mas no cargo que ocupa deveria ser transparente com os cidadãos brasileiros e mostrar os resultados dos exames. Sua atitude é no mínimo antirrepublicana e se não é ilegal, é antiética. O desprezo à ciência e o discurso obscurantista, que inclui chamar a Covid-19 de “gripezinha”, tornam ainda mais nebulosa e enigmática sua doença. A suspeita de resfriado ou gripe é bem consistente.

O problema é tão evidente que na quinta-feira 9, antes da tosse fatídica, a Mesa Diretora da Câmara encaminhou à Presidência da República um pedido de informações sobre os resultados dos testes de Covid-19 feitos por Bolsonaro. Segundo a Agência Câmara de Notícias, o pedido se baseia no artigo 50 da Constituição que estabelece que as mesas diretoras da Câmara e do Senado têm a prerrogativa de encaminhar pedidos de informações a ministros de Estado. A demanda foi endereçada ao ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, ministro Jorge Oliveira. O governo tem um prazo de 30 dias, a partir da data do envio, para dar uma resposta. Caso o prazo não seja cumprido, o presidente pode ser acusado de crime de responsabilidade, o que seria um primeiro passo para um processo de impeachment. Se for comprovado que esconde alguma doença, ele estaria cometendo também um crime comum contra a saúde pública, por propagar a epidemia.

GRIPE FORTE O presidente omite resultados de testes de Covid-19 e desrespeita recomendações de autoridades de saúde (Crédito:GABRIELA BILO)

Sinais estranhos

O responsável pelo pedido de informações, aprovado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi o deputado Rogério Correia (PT-MG). Bolsonaro se submeteu a dois exames de coronavírus nos dias 12 e 17 de março, assim que retornou de uma viagem para os Estados Unidos, quando 23 integrantes de sua comitiva testaram positivo para a Covid-19, inclusive o secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten. Apesar de apresentar sintomas de gripe, Bolsonaro afirmou que seus resultados foram negativos e recusou-se a apresentar os testes, sob o argumento de que são “sigilosos”. “O Brasil precisa da verdade. O presidente foi infectado? Por se tratar do presidente, o mandatário maior da República, é fundamental que esta informação seja de domínio público”, afirmou Correia para a Agência Câmara. Correia destaca que o presidente deixou perguntas sem respostas. Para o deputado, é no mínimo estranho que Bolsonaro tenha omitido o resultado de um teste que deu negativo. É algo que não faz sentido.

Se for comprovado que Bolsonaro esconde uma doença, ele pode ser acusado de crime contra a saúde pública, por propagar a epidemia

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Os exames de Bolsonaro viraram um problema de Estado e, diante de pedidos de veículos de comunicação, baseados na Lei de Acesso à Informação (LAI), sobre os resultados, a Secretaria de Comunicação alegou que “as informações individualizadas sobre o assunto dizem respeito à intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas”. Apoiado na questão do sigilo, o presidente tem circulado livremente no meio da multidão, tossido e lançado perdigotos na população em seus encontros com apoiadores na frente do Palácio do Planalto e em passeios pelo Distrito Federal. Contrariando recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS), Bolsonaro favorece o formação de aglomerações e mantém proximidade física com simpatizantes. No período entre os dois testes que fez em março, o presidente deixou o Palácio do Planalto para falar e cumprimentar manifestantes que protestavam contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Irresponsabilidade

“Já pensou que prato feito para a imprensa se eu tivesse infectado? Não estou. É a minha palavra. A minha palavra vale mais do que um pedaço de papel”, disse Bolsonaro a jornalistas no dia 26 de março. Será? Sua situação é bastante suspeita e deveria ser esclarecida até o próximo dia 8, quando se completará um mês do pedido de informação da Câmara. Até lá, ele, provavelmente, continuará fazendo provocações e desafiando as autoridades de saúde com seu comportamento irresponsável. Bolsonaro aproveita todos os fins de semana para ter contato com seguidores e exibir seu desprezo por uma doença que mata sem parar em todo o mundo. Trata também de se mostrar forte e indestrutível num momento em que toda a sociedade se sente fragilizada. “Depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar não, ta ok?”, afirmou, há algumas semanas, mostrando que não está nem aí para o coronavírus. Outra possibilidade é que os sintomas de gripe apresentados pelo presidente não passem de uma simulação, um fingimento, o que seria ainda mais grave e doentio do ponto de vista psiquiátrico. Bolsonaro brinca com uma doença letal e parece mais disposto a confundir do que a esclarecer.

Não é de hoje
Bolsonaro tem apresentado regularmente , em eventos públicos, sintomas de infecção respiratória, como coriza, tosse e abatimento

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