E agora, mito? Ao que parece, não era só negacionismo a recusa por vacinas

E agora, mito? Ao que parece, não era só negacionismo a recusa por vacinas

Bolsonaro e Pazuello participam de cerimônia no Palácio do Planalto


Jair Bolsonaro, o ex-capitão reformado com desonra, é um psicopata homicida de alto coturno. Desde o início desta maldita pandemia, tudo o que faz é no sentido da proliferação da doença e do aumento do número de mortes por Covid-19. Não é à toa, portanto, as mais de 540 mil vítimas fatais até o momento.

O verdugo do Planalto também é, como já sabemos, um ignorante negacionista e curandeiro charlatão, que receita medicamentos e tratamentos ineficazes e, pior!, os compra e distribui com dinheiro público que deveria ser usado na prevenção e aquisição de remédios comprovadamente úteis aos doentes pelo coronavírus.

Mas um dos maiores mistérios, senão o segundo maior – o primeiro é a rejeição ao uso de máscara -, é o motivo que levou o governo brasileiro a declinar de todas as ofertas de vacinas, ainda em 2020, quando o mundo inteiro corria atrás das doses escassas. Hoje, a CPI da Covid parece ter encontrado algumas respostas.

NÃO AOS LABORATÓRIOS, SIM AOS ATRAVESSADORES

O primeiro indício das negociatas do governo em torno das aquisições tardias de vacinas veio através da acusação dos irmãos Miranda ao maníaco do tratamento precoce. Deputado e servidor do Ministério da Saúde disseram que Bolsonaro foi avisado de um suposto superfaturamento de 1.000%, e nada fez a respeito.

Mais do que apenas acusado, o pai do senador das rachadinhas e da mansão de seis milhões de reais confessou a omissão e admitiu, inclusive, ter tido acesso à documentação que comprovaria os fatos. A única defesa que se ouviu até agora do bilontra foi: ‘Não sou servidor, sou presidente, portanto, não há prevaricação’.

Contudo, o mais grave ainda estava por vir. Eduardo Pazuello, o general-fantoche, aquele que declarou, ‘o presidente manda e eu obedeço’, negociou 30 milhões de doses de Coronavac – a ‘vachina’ do Doria que causaria suicídio, morte e invalidez – por três vezes o valor de mercado, diretamente com atravessadores chineses.

MENTIRAS DE UM GOVERNO DESMORALIZADO

Dois ou três dias após afirmar aos senadores da CPI que nunca negociou vacinas diretamente, pois ‘o ministro não negocia vacinas’, o general-bibelô se reuniu com os comunistas comedores de criancinhas e acertou a compra superfaturada. Mais: gravou um vídeo anunciando sua ‘boa ação’ aos brasileiros sem vacinas.

Como sabido, a CoronaVac é produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, de São Paulo, e só está salvando dezenas de milhares de vidas – que Bolsonaro jamais salvou; ao contrário! – graças ao esforço e empenho pessoal do governador João Doria. Ou seja: por que negociar 30 milhões de doses com os chineses?

E por que a compra pelo triplo do preço que o governo já estava pagando? Hein, Pazuello? Será que o mito mandou e o capacho simplesmente obedeceu? Ou foi iniciativa própria mesmo? Ou será que o especialista em logística, que confunde o hemisfério sul com o norte, também não manipula bem a calculadora?

Jair Bolsonaro, o marido da receptora de 89 mil reais em cheques de milicianos, e seu ex-ministro pau-mandado da Saúde têm muito a explicar. Assim que sua crise providencial de soluços passar, terá que optar entre continuar a ofender os demais Poderes como diversionismo, ou encarar os fatos e reconhecer, no mínimo!, que é prevaricador e líder de um governo corrupto.






Sobre o autor

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.


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