POLÍTICA

“É a primeira vez que sou chamado de burro”, diz Marcos Pontes para Paulo Guedes

Crédito: AFP

Marcos Pontes, ministro da Ciência e Tecnologia, disse que ficou surpreso ao ser chamado de burro pelo ministro da Economia Paulo Guedes. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o tenente-coronel da Força Aérea Brasileira afirmou ser compreensível a fala do economista, que passa por um momento turbulento.

“Sobre as falas do PG [Guedes], não tem muito o que comentar. A parte engraçada é que já fui chamado de muita coisa, mas de burro é a primeira vez”, revelou Pontes. “Ele está em um momento difícil e deve estar meio confuso para expressar suas ideias. Não seria a primeira vez que ele foi mal interpretado em suas falas”, acrescentou.


Segundo Marcos, ele continua defendendo o ministro, tem respeito por Guedes e não vê problema nos xingamentos. “Como diria meu saudoso professor de Química do ITA [Instituto Tecnológico de Aeronáutica], Dr. Carl Weis: ‘Isso não me comove…’ (Os iteanos mais antigos vão se lembrar)”, completou.

Para o ministro da Ciência e Tecnologia, sua experiência como astronauta o ajuda a resolver possíveis atritos. “Lembre-se que astronautas e pilotos de combate são profissionais altamente treinados para trabalhar em equipe, mesmo em situações extremas de vida ou morte”, pontuou. “Às vezes, voando em formação, um piloto comete um erro e ‘dá uma asada’ para cima de você. Você desvia, corrige e continua o voo para cumprir a missão da equipe”, afirmou.

O xingamento de Paulo Guedes aconteceu após Pontes criticar publicamente o corte de R$ 600 milhões da sua pasta. Na ocasião, o ministro da Economia alegou que Marcos era “burro” por não alocar bem os recursos, gastando “até com foguete”.

De acordo com Pontes, ele não usa de forma errada os recursos e também reafirmou a necessidade de reaver o montante que seria destinado à bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “A gestão financeira do MCTI é muito eficiente. Assim que for liberado o recurso, iniciaremos a execução. Mas há um limite de tempo hábil para isso. Daí a urgência”, relatou.

“Como engenheiro, gestor e piloto de combate, trabalho com ciência, dados, fatos e resultados práticos (veja a parte de entregas do website do MCTI para ver o que já foi feito, mesmo com as restrições de orçamento). O que é importante para a Ciência e Tecnologia do Brasil neste momento, de forma pragmática, é a liberação urgente do PLN com a reposição dos valores transferidos do PLN16”, finalizou Pontes.