Economia

…e a confiança sumiu

Estimativa de crescimento da economia tem forte queda e o temor de perder o emprego é o maior desde 1999. O otimismo deve ficar para o próximo ano

Crédito: Nelson Almeida

Há VAGAS? Pesquisa aponta que homens de menor escolaridade são os quem mais temem perder emprego (Crédito: Nelson Almeida)

O ano começou com uma projeção de 2,7% de crescimento para a economia. No início de março, a expectativa bateu 2,97%. No País em que a atividade havia encolhido 3,8% em 2015, 3,6% em 2016 e ficado positiva em menos de 1% em 2017, foi um bom sinal. Mas a falta de confiança no governo e a crise gerada pela greve dos caminhoneiros fizeram estragos. O Relatório de Mercado Focus, do Banco Central (BC), divulgado na segunda-feira 9, rebaixou a previsão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 1,53%. Em maio, antes da greve, a expansão já havia encolhido para 2,5%. O relatório do BC também levou em conta as tensões comerciais internacionais e alta da taxa de juros nos EUA, que desvalorizaram o real.

Esse cenário fez com que o Índice do Medo do Desemprego, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), atingisse 67,9 pontos em junho. A marca é a mais elevada desde o início das medições, em 1999. A pesquisa aponta que o temor da perda de emprego é maior entre homens e pessoas com menor nível de instrução. “A recuperação está lenta e as pessoas não perceberam a queda da inflação”, afirmou Renato Fonseca, pesquisador da CNI.

PIB de 4,5%

O Índice de Confiança do Empresário (ICE), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), também caiu três vezes seguidas. O ICE afere as expectativas na indústria, serviços, comércio e construção. A boa notícia pode estar em 2019. Analistas creem que após as eleições o PIB poderá crescer até 4,5%. Não é um índice de economia chinesa, mas para o Brasil de hoje estaria mais do que bom. A.V.