Economia

Dyogo prevê crescimento de 2,5% ou ‘até mais’ para PIB de 2018

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, avaliou que já se percebe entre os empresários até uma certa euforia com a economia brasileira. Em café de fim de ano com os jornalistas, ele afirmou que, após um ano bastante difícil, o 2017 termina com uma sinalização de recuperação muito forte da atividade econômica. Previu crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,5% ou “até mais” em 2018, mas advertiu que esse ritmo está aquém do potencial da economia brasileira.

Para ele, o Brasil está entrando num ciclo econômico de crescimento saudável de oito a 12 anos. Ele advertiu que a continuidade desse processo dependerá da aprovação das reforma da Previdência.

Segundo Dyogo, o crescimento em 2018 será equilibrado, ocorrendo em vários setores. “Não haverá um único setor puxando a economia”, previu. “Tivemos um ano em que a política econômica produziu efeitos muito importantes, depois de uma recessão profunda”, disse, que destacou que esse cenário não aconteceu por acaso, mas é fruto de um conjunto de medidas adotadas pelo governo nos últimos 18 meses. Na sua avaliação, esse quadro se reflete em indicadores concretos e expectativas. “O conceito dessas expectativas está baseado na continuidade do processo de reformas”, afirmou.

Dyogo citou como o exemplo a queda do risco-País para 170 pontos, nível menor comparando com o tamanho do serviço da dívida do setor público.

Segundo ele, o chamado “carry-over” (crescimento transferido de um ano para outro) já está em 1%. “É pouco provável que tenhamos um PIB abaixo de 1% em 2017”, disse. Oliveira avaliou que o crescimento será bastante equilibrado.

O ministro do Planejamento citou a recuperação do mercado de trabalho até mesmo surpreendendo em relação ao que se esperava inicialmente, com mais de 300 mil empregos e o desemprego caindo 13,7% para 12,2%. “Tudo isso cria uma base de segurança para o trabalhador e se reflete na expansão do consumo.

Reformas

A melhora do ambiente econômico está “intimamente ligada” à agenda de reformas, disse Dyogo Oliveira. Segundo ele, se a reforma da Previdência não for aprovada, a reversão pode ser muito rápida, já no ano que vem. “Não é porque o ambiente melhorou que não precisa fazer a reforma da Previdência”, afirmou.

Ele comentou que há hoje um “prêmio-governo” ou “prêmio-reforma” embutido nos indicadores que refletem a situação da economia, como o risco País. Pelo tamanho do serviço da dívida, a desconfiança dos investidores deveria impactar negativamente esses índices – o risco País deveria estar em 400 pontos, por exemplo. Mas o “prêmio” mostra que eles ainda dão ao governo um voto de confiança pela continuidade das reformas. “Quando não se avança nas reformas, pode perder esse prêmio e perder muito rápido”, alertou o ministro. “Deixar reforma para 2019 vai trazer mais volatilidade e pode perder parte considerável desse prêmio”, acrescentou.

O ministro demonstrou otimismo com a aprovação da proposta. “Vejo nas conversas com parlamentares que há compreensão da necessidade da reforma da Previdência. Há convencimento”, disse.

Segundo o ministro do Planejamento, as últimas modificações permitiram que os pontos “críticos” aos parlamentares fossem retirados, o que facilitou o diálogo. Uma das mudanças foi a manutenção da exigência de tempo mínimo de contribuição para aposentadoria no INSS em 15 anos, em vez de elevar para 25 anos.

Dyogo Oliveira explicou que o governo concluiu que os 25 anos seriam um nível “muito elevado” para trabalhadores de menor renda, que às vezes têm maior rotatividade. O impacto de redução no tempo de contribuição no INSS não é muito grande em termos recursos, mas é significativo para melhorar a articulação e reduzir as resistências, afirmou. “O projeto atual é palatável do ponto de vista político”, disse. Ele ressaltou que nenhuma das medidas afeta direitos adquiridos, o que é um ponto positivo para torná-la politicamente viável.

Cenários

Sem a aprovação da reforma da Previdência, a dívida pública brasileira pode chegar a 100% do PIB em 2021 devido à sucessão de déficits e à piora nas expectativas para a economia, alertou o ministro do Planejamento. “Não temos como sustentar dívida de 100% do PIB”, disse em café da manhã com jornalistas.

Com a reforma da Previdência, a perspectiva ainda é de dívida elevada, mas em patamar estável em torno de 80% do PIB. Essa melhora se daria principalmente pela recuperação do crescimento.

Segundo Oliveira, o cenário de dívida em 100% “é factível e preocupante”. “O Brasil chegar a esse nível não é a mesma coisa do que 100% de dívida em países de maior renda per capita”, avisou.

Reforma tributária

Depois da aprovação da reforma da Previdência, o ministro do Planejamento disse que a pauta será a reforma tributária. Segundo ele, a aprovação da mudança no sistema tributário ajudará a aumentar um PIB potencial mais alto.

Em balanço de 2017 durante café da manhã com jornalistas econômicos, o ministro disse que a queda de juros para 7% ao ano (menor nível da história) reforça o ambiente muito positivo para 2018.

Para ele, os fundamentos gerais da economia são muito saudáveis e projetam um crescimento para 2018 equilibrado.

Apesar do otimismo com crescimento e economia no ano que vem, Dyogo Oliveira reconheceu que o Estado brasileiro ainda é atrasado e ineficiente. Para ele, os fundamentos gerais da economia são muito saudáveis e projetam um crescimento para 2018 equilibrado.

Na avaliação do ministro, há desperdício e recursos mal alocados. Ele citou o caso do benefício do auxílio-doença que passou por um pente-fino que mostrou um corte de 80%.

O ministro citou também a redução de 43 mil empregados das estatais. Segundo ele, o governo dará continuidade ao processo de revisão das despesas e modificação das politicas, como já foi feito com o Fies e o auxílio-doença.