Durigan critica proposta de Flávio para acabar com split payment

Ministro da Fazenda afirma que mecanismo da reforma tributária combate fraudes; equipe do candidato aponta riscos para empresas

Durigan critica proposta de Flávio para acabar com split payment

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou a proposta da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) de retirar o mecanismo de split payment da reforma tributária. Para o ministro, a medida representa um avanço no combate à sonegação e sua extinção poderia beneficiar empresas que cometem irregularidades fiscais.

A manifestação ocorreu após Daniella Marques, assessora econômica de Flávio Bolsonaro e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, afirmar que um eventual governo do candidato pretende eliminar o sistema.

Em declaração divulgada na quarta-feira (7), Durigan defendeu a ferramenta e afirmou que sua retirada representaria um retrocesso no combate às fraudes tributárias.

“Ser contra um avanço como esse é favorecer quem frauda”, declarou o ministro.

O que é o split payment?

Previsto na reforma tributária, o split payment, expressão em inglês que significa pagamento dividido, é um mecanismo que permite separar automaticamente o valor dos impostos durante a liquidação de determinadas operações comerciais.

Na prática, a parcela correspondente aos tributos é direcionada ao Fisco, enquanto a empresa recebe o restante do pagamento.

O objetivo é impedir que empresas emitam documentos fiscais, cobrem impostos de seus clientes e deixem de recolher os valores devidos ao governo.

O sistema também está relacionado ao aproveitamento de créditos tributários, que dependerá do recolhimento efetivo dos impostos nas etapas anteriores da cadeia produtiva.

Segundo Durigan, a ferramenta poderá reduzir práticas fraudulentas e contribuir para diminuir a alíquota geral dos novos tributos sobre o consumo.

Equipe de Flávio Bolsonaro critica impacto nas empresas

Daniella Marques argumenta que o recolhimento automático dos impostos pode comprometer o capital de giro, especialmente de pequenos empresários.

Na avaliação da assessora econômica, a retenção imediata dos valores reduziria os recursos disponíveis para o pagamento de fornecedores e outras despesas operacionais.

Ao ser questionada sobre a possibilidade de retirar o mecanismo da reforma tributária em um eventual governo Flávio Bolsonaro, Daniella confirmou a intenção de promover a mudança.

O próprio candidato também defendeu a revisão do sistema nesta quinta-feira (8), afirmando que pretende discutir a retirada da medida por meio do Congresso Nacional.

Governo diz que pequenos varejistas ficarão fora da etapa inicial

Durigan contestou a avaliação de que a implementação do mecanismo atingirá diretamente todos os pequenos comerciantes.

Segundo o ministro, a adoção será gradual e começará pelas transações realizadas entre empresas.

O modelo inicialmente previsto não deverá alcançar diretamente pequenos negócios do varejo que realizam vendas ao consumidor final.

A previsão é que o split payment comece a funcionar de maneira facultativa no segundo semestre de 2027, enquanto os órgãos responsáveis desenvolvem a infraestrutura tecnológica necessária.

Mudança depende de discussão legislativa

O mecanismo integra a legislação que regulamenta a reforma tributária sobre o consumo.

Por isso, sua retirada não poderia ocorrer apenas por decisão do presidente da República, exigindo alterações nas regras aprovadas pelo Congresso Nacional.

A divergência entre Durigan e a equipe econômica de Flávio Bolsonaro coloca a implementação da reforma tributária entre os assuntos debatidos durante o segundo turno da eleição presidencial.

De um lado, o Ministério da Fazenda sustenta que o recolhimento automatizado pode ampliar a fiscalização e reduzir a sonegação. Do outro, a equipe do candidato do PL questiona os possíveis efeitos da medida sobre a disponibilidade de recursos das empresas.

Da IstoÉ

Leia também – MotorShow

Ford Maverick Lariat de R$ 209.900 tem 253 cv e tração AWD para roubar clientes da Fiat Toro