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Duque encerra diálogo de paz com guerrilha colombiana ELN

Duque encerra diálogo de paz com guerrilha colombiana ELN

El jefe negociador del ELN, Pablo Beltrán, en entrevista con la AFP en La Habana, el 18 de octubre de 2018 - AFP

O presidente da Colômbia, Iván Duque, reativou nesta sexta-feira as ordens de captura contra os negociadores de paz do ELN em Cuba e afirmou que denunciará os Estados que protejam esta guerrilha, acusada de atentado da véspera que matou 21 pessoas em Bogotá.

“Ordenei o fim da suspensão das ordens de captura contra 10 membros do ELN que integravam a delegação deste grupo em Cuba e revoguei a resolução que criava condições para sua permanência neste país”, disse Duque em mensagem a partir da residência presidencial Casa de Nariño.

“Isto significa o fim imediato de todos os benefícios concedidos a eles no passado pelo Estado e a ativação” de pedidos de captura “na Interpol”, acrescentou o presidente.

Duque, que atribuiu sua decisão ao ataque contra a academia de polícia de Bogotá, que na véspera deixou 21 mortos e 65 feridos, agradeceu a “solidaridade” de Cuba ao criticar o atentado, e pediu ao governo da Ilha, onde ocorriam as conversações de paz desde maio de 2018, a captura dos rebeldes que se encontrem no território e sua entrega às autoridades colombianas.

“Denunciaremos qualquer Estado que dê apoio ou permita a presença de membros deste grupo em seu território”.

Segundo o ministro colombiano da Defesa, Guillermo Boetero, há “evidências concretas” de que o autor do ataque com um carro-bomba, Rojas Rodríguez, era membro do ELN há mais de 25 anos.

A explosão do carro-bomba matou cadetes e policiais com entre 17 e 22 anos da Escola de Oficiais General Francisco de Paula Santander, no sul de Bogotá.

Até o momento, o Exército de Libertação Nacional (ELN) não respondeu às acusações.

Com cerca de 1.800 combatentes e milhares de milicianos associados, segundo o governo, o ELN é liderado por Nicolás Rodríguez Bautista “Gabino”, que entrou na guerrilha com apenas 14 anos.

Comandante desde 1998, após a morte por causas naturais do espanhol Manuel ‘El Cura’ Pérez, “Gabino” promove uma agenda nacionalista centrada no controle dos recursos naturais e está no momento em Havana.

O ELN tem como principais alvos instalações militares, infraestrutura energética e as empresas multinacionais presentes na Colômbia.

O grupo também utiliza sequestro e extorsão como forma de financiamento.

Exatamente os sequestros eram o principal obstáculo a um acordo de paz, já que Duque exigia a libertação de todos os reféns da guerrilha – 17 segundo o governo – para prosseguir com o diálogo em Havana.

Segundo especialistas, o ELN vive no momento uma divisão em sua estrutura de comando, entre os que defendem o diálogo e os que pretendem prosseguir com a luta armada, que seriam os responsáveis pelo ataque em Bogotá.