Duas ex-funcionárias de Julio Iglesias o denunciaram à Justiça espanhola, após relatarem em uma investigação jornalística divulgada nesta terça-feira (13) agressões e humilhações sexuais por parte do cantor.
Fontes jurídicas confirmaram à AFP que no dia 5 de janeiro foi apresentada uma denúncia contra Iglesias que está sendo analisada, sem mais detalhes.
A denúncia veio à tona após a publicação de uma investigação da emissora americana Univisión e do site espanhol elDiario.es, à qual uma empregada doméstica e uma fisioterapeuta de Iglesias afirmam terem sido submetidas a agressões, assédio sexual, estupros de uma delas e humilhações.
Os fatos teriam ocorrido supostamente em 2021, nas mansões do cantor na República Dominicana e nas Bahamas. “Eu me sentia como um objeto, como uma escrava em pleno século XXI”, explicou uma das mulheres, identificada como Rebeca, na reportagem da Univisión.
“Ele enfiava os dedos por todos os lados”, acrescentou a jovem dominicana, que tinha 22 anos quando ocorreram os supostos fatos.
A outra jovem é a venezuelana Laura, fisioterapeuta, que tinha 28 anos quando começou a trabalhar para o cantor.
Nem a Univisión nem o elDiario.es conseguiram que Iglesias, de 82 anos, respondesse a essas denúncias. A AFP tentou, sem sucesso, contatá-lo para conhecer sua versão.
Afastado dos holofotes há anos e muito querido na Espanha até hoje, o intérprete de baladas românticas como “Hey”, “De niña a mujer” e “Me olvidé de vivir” cantou em várias línguas e está entre os que mais venderam discos na história.
Nesta terça-feira, no entanto, foi alvo de críticas, em particular no campo político. “Testemunhos arrepiantes das ex-funcionárias de Julio Iglesias. Abusos sexuais e uma situação de escravidão”, escreveu a vice-presidente de governo, Yolanda Díaz, na rede social Bluesky.
O escritor Ignacio Peyró, autor da biografia de Iglesias lançada recentemente, “El español que enamoró al mundo”, e a editora do livro, Libros del Asteroide, expressaram sua “profunda consternação” pelos fatos denunciados.
“No momento de sua publicação não se conheciam essas acusações nem existiam referências públicas que permitissem abordá-las no texto”, mas, diante dessas novas informações, é “necessário oferecer o quanto antes uma nova edição revisada e atualizada”, prometeram.
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