ROMA, 4 FEV (ANSA) – No primeiro dia em que o primeiro-ministro encarregado da Itália, Mario Draghi, iniciou suas consultas, as forças políticas começaram a definir suas posições sobre um possível apoio ao ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE).
Nas reuniões desta quinta-feira (4), os partidos com menos representação parlamentar apoiaram um governo liderado por Draghi. No entanto, as legendas, assim como as maiores, insistem em um Executivo político e não “técnico”.
O economista foi encarregado pelo presidente Sergio Mattarella para formar um governo estável, após a crise desencadeada pelo ex-premiê Matteo Renzi, que retirou seu partido Itália Viva (IV) da antiga coalizão.
Hoje, Draghi realizou a primeira rodada de negociações com forças políticas minoritárias e elas concordaram em dar um voto de confiança ao ex-mandatário do BCE.
A ex-comissária europeia Emma Bonino, que lidera o partido +Europa, e o ex-ministro do Desenvolvimento Econômico e ex-membro do Partido Democrático (PD), Carlo Calenda, lider do Azione, transmitiram seu “apoio total e incondicional”.
Além deles, Antonio Tasso, representante do Movimento Associativo dos Italianos no Exterior (MAIE), disse que a atual crise política é “inoportuna e irracional” e que é necessário “avançar para que as dificuldades econômicas e sociais” sejam superadas.
Apesar de garantir o apoio das siglas, Draghi ainda precisa participar de negociações com os partidos de maior peso no Parlamento. Nesta sexta-feira (5), ele receberá representantes do PD e do Itália Viva, cujos partidos já declararam apoio explícito, e do Força Itália, do ex-premiê Silvio Berlusconi, que acenou com uma possível aprovação.
Além deles, os ultranacionalistas Irmãos da Itália (FDI), de Giorgia Meloni, também serão consultados, mas por enquanto rejeitam o nome de Draghi e exigem eleições a todo custo.
As duas maiores forças políticas parlamentares, o Movimento 5 Estrelas (M5S) e a Liga, do ex-ministro do Interior Matteo Salvini, estão divididos e incertos quanto à possibilidade de lhe dar o seu apoio.
As duas siglas, porém, encontrarão com o executivo no sábado (6). “Não posso dizer sim ou não sem saber o que Draghi tem em mente”, afirmou Salvini, ressaltando que os pedidos da Liga e do M5S são diferentes e ele terá que escolher.
O M5S, por sua vez, está debatendo internamente a sua posição nesta crise, principalmente porque não é favorável a um governo técnico. Mesmo pressionado pelo PD, que compõe a base aliada, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Luigi Di Maio, pediu cautela e disse que ouvirá Draghi antes de decidir o voto.
“Na minha opinião, o M5S tem o dever de participar das consultas, ouvir e tomar uma decisão”, afirmou. (ANSA)