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Dono de três medalhas olímpicas, Rodrigo Pessoa é disputado por Brasil e Irlanda

Dono de três medalhas olímpicas com o Brasil, o cavaleiro Rodrigo Pessoa se tornou campeão europeu por equipes na semana passada como técnico… da Irlanda. Com isso, o próximo ciclo olímpico do hipismo brasileiro tem uma “questão diplomática” a resolver: Pessoa vai continuar como técnico irlandês ou voltar ao Brasil, depois de ficar fora dos Jogos do Rio-2016?

Antes de Rodrigo Pessoa responder, vale olhar cada opção na mesa. A conquista da Copa das Nações – ou o Campeonato Europeu – foi um grande feito. A Irlanda, país com tradição equestre e que possui vários cavaleiros no Top 50, não vencia o torneio por equipes desde 2001, portanto 16 anos de fila. “Ganhar era nosso principal objetivo na disputa”, comemorou.

Rodrigo Pessoa teve de quebrar paradigmas para chegar à conquista. Além de um planejamento rigoroso, com escolha a dedo de cada torneio onde os cavalos saltariam, e prioridade às competições por equipe, ele contratou um preparador mental para os rapazes. Os irlandeses torceram o nariz para o profissional que acompanhava o time nas disputas e fazia atendimentos individualizados e sessões em grupo. Foi uma inovação não só para a Irlanda, mas para a própria modalidade. Pessoa diz que a equipe precisava de ajuda para superar as derrotas.

Depois do título europeu, a próxima meta é a classificação da Irlanda para os Jogos de Tóquio-2020. A primeira chance é no Mundial de 2018, nos Estados Unidos. Se Rodrigo Pessoa conseguir quebrar mais esse tabu – já são três edições fora da Olimpíada -, seu passe vai se valorizar ainda mais. Vale dizer que o brasileiro está para o hipismo como Neymar está para o futebol. Seu contrato com os irlandeses vai até o fim do ano que vem, mas pode ser renovado. “Gostei de ser técnico. Temos um projeto de dois anos”.

CONTRA O BRASIL – Rodrigo Pessoa vai enfrentar o Brasil pela primeira vez na final da Copa das Nações em Barcelona, entre o dia 28 deste mês e 1.º de outubro. Em julho, o time brasileiro conseguiu vitória inédita em Hickstead, templo do hipismo, e garantiu vaga na decisão. “Sou amigo de todos e cheguei a ser técnico informal do time por causa da experiência, mas, durante essa competição, a prioridade é a Irlanda”, comentou.

Nos Jogos do Rio-2016, a amizade ficou estremecida. O técnico do Brasil, George Morris, preferiu deixá-lo na reserva, alegando que a sua montaria estava abaixo dos outros. Rodrigo Pessoa reclamou publicamente e abriu mão da vaga. Depois de seis edições de Jogos Olímpicos, ficou fora do evento em casa. “Não tem mágoa porque mudou a direção, mudou o presidente, o diretor. Mudou tudo. É uma folha branca agora. Foi difícil supera a injustiça, mas os Jogos não vão voltar”.

Em 2019, nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, o único torneio em que não triunfou, Rodrigo Pessoa deve voltar à seleção brasileira sem dramas. Aí não haverá conflito com a Irlanda. A Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) já indicou que quer contar com o veterano de 44 anos. O problema será em Tóquio, onde os dois países poderão “disputar” o cavaleiro. A data-limite para a opção entre Irlanda e Brasil é 31 de dezembro de 2019.

Aí volta a questão do início da reportagem. “Deixei uma porta aberta, se tiver um cavalo em condições, gostaria de competir em Tóquio”, disse. “Mas, antes, temos duas negociações: uma pela permanência como técnico da Irlanda e a outra para os Jogos Olímpicos”.

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