A Polícia Federal deflagrou uma operação que resultou na prisão dos funkeiros MC Ryan SP e Poze do Rodo, do dono da página “Choquei”, Raphael Sousa Oliveira, e do empresário Chrys Dias. Eles são investigados por integrar um grupo que movimentou cerca de R$ 1,6 bilhão através de rifas e apostas ilegais, com patrocínio do Primeiro Comando da Capital (PCC). Além deles, outras três pessoas ligadas ao setor artístico e de entretenimento também foram detidas, sob suspeita de envolvimento.
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O que aconteceu
- Funkeiros presos por lavagem dinheiro são suspeitos de movimentar R$ 1,6 bilhão com esquemas ilegais.
- Raphael Sousa Oliveira, dono da “Choquei”, foi detido por “gestão de imagem e promoção digital” do grupo investigado.
- As investigações da Polícia Federal apontam ligação do esquema com o crime organizado, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os envolvidos na operação da Polícia Federal
As prisões ocorreram em diferentes locais, com Raphael Sousa Oliveira detido em Goiânia e Poze do Rodo no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. Segundo as investigações da Polícia Federal, os detidos são suspeitos de integrar uma complexa rede de lavagem de dinheiro e promoção de atividades ilícitas.
A defesa de MC Ryan SP afirmou que “a verdade será devidamente demonstrada” e que todos os valores que transitam nas contas do funkeiro possuem origem comprovada e tributos recolhidos. A reportagem da IstoÉ tenta contato com os demais citados e o espaço permanece aberto para suas manifestações.
Qual era a função de cada suspeito, segundo a PF?
Raphael Sousa Oliveira, dono do “Choquei”
Raphael Sousa Oliveira, à frente do perfil “Choquei” com 27 milhões de seguidores no Instagram, é apontado pela PF como “operador de mídia da organização”. Sua função seria a de usar a página para “gestão de imagem e promoção digital” do grupo, divulgando conteúdos favoráveis a MC Ryan, promovendo plataformas de apostas e rifas, e atuando na contenção de crises de imagem decorrentes das apurações policiais. Ele teria recebido valores milionários de outros envolvidos na operação.
MC Ryan SP
Ryan de Oliveira Santana, conhecido como MC Ryan SP, de 25 anos, é natural de São Paulo e ganhou notoriedade com músicas focadas em ostentação. A Polícia Federal o investiga como líder do esquema de lavagem de dinheiro proveniente do crime organizado e do tráfico de drogas. O funkeiro utilizaria bets, rifas ilegais e empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para lavar os recursos ilícitos.
As apurações indicam que o grupo, sob a liderança de Ryan, transferia participações societárias para familiares e “laranjas”, visando desassociar o dinheiro ilícito de seus nomes. Posteriormente, esses valores seriam reinseridos na economia formal por meio da aquisição de imóveis, veículos de luxo, joias e outros bens de alto valor.
Poze do Rodo
Marlon Brendon Coelho Couto Silva, o Poze do Rodo, de 27 anos, é do Rio de Janeiro e construiu sua carreira com canções que retratam a realidade de sua origem. O funkeiro, que já mencionou ter trabalhado para o tráfico na adolescência e sido baleado e preso nesse período, foi detido no Recreio dos Bandeirantes. Embora a PF o aponte como parte do esquema, a função exata de Poze do Rodo ainda não foi detalhada. A defesa declarou desconhecer o teor do mandado de prisão.
O artista já havia sido preso em outras duas ocasiões: em 2019, por apologia ao crime durante um show em Mato Grosso, e em 2024, em uma operação da Polícia Civil do Rio contra sorteios realizados por redes sociais.
Chrys Dias
O influenciador Chrys Dias, que soma 15 milhões de seguidores no Instagram e se apresenta como empresário de MC Ryan, também foi preso por suspeita de envolvimento no esquema. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Dias.
Rodrigo Inácio
Rodrigo Inácio Lima de Oliveira, fundador da GR6, a maior produtora de funk do país, foi outro alvo da operação e também preso por envolvimento com o grupo. A defesa de Inácio não foi localizada até o momento.