Dominica, pequeno país insular do Caribe, anunciou, nesta segunda-feira (13), a criação da primeira reserva de cachalotes no mundo ao proibir a pesca comercial e a circulação de grandes navios nessa área.

Esta zona protegida se estenderá por cerca de 800 km² ao longo da costa ocidental da ilha, o que representa um espaço um pouco maior que a própria superfície do país.

Deste modo, Dominica também espera aumentar seu turismo, assim como capturar mais carbono no leito marinho graças às propriedades biológicas destes cetáceos.

“Os cerca de 200 cachalotes que vivem em nosso mar são cidadãos apreciados de Dominica”, disse nesta segunda o primeiro-ministro Roosevelt Skerrit em comunicado.

Os cachalotes são os predadores com os maiores dentes do planeta, e podem alcançar até 16 metros de comprimento.

Com presença da Nova Zelândia à Islândia, os cachalotes apreciam particularmente as águas cristalinas de Dominica, ideais para sua alimentação e a criação de seus filhotes.

Shane Gero, biólogo que estuda os cachalotes da ilha desde 2005, demonstrou com suas pesquisas que sua população estava em declínio por causa de colisões com barcos, pela pesca acidental e a poluição por plástico.

“Perdemos animais e famílias que os pesquisadores e observadores de cachalotes aqui conhecem muito bem”, explicou à AFP.

Devido à criação da reserva, será estabelecido um corredor para permitir aos navios atracar em Roseau, a capital e maior cidade da ilha, disse à AFP Francine Baron, chefe de uma agência para a resiliência climática de Dominica.

As embarcações de mais de 18 metros possivelmente serão proibidas, enquanto a pesca artesanal em pequena escala seguirá autorizada.

Kristen Rechberger, fundadora da Dynamic Planet, empresa que oferece consultoria para o governo de Dominica, disse à AFP que a ideia é colocar em prática um conceito similar ao programa de turismo de gorilas da montanha em Ruanda, na África, onde os visitantes pagam cerca de 1.500 dólares (R$ 7.386) para observar os grandes primatas.

Além disso, os excrementos dos cachalotes são ricos em nutrientes e favorecem o plâncton que captura o dióxido de carbono da água do mar.

Supondo que haja 250 destas baleias em águas de Dominica, a cada ano elas ajudariam a capturar até 4.200 toneladas de carbono, o equivalente a retirar 5.000 veículos das ruas, estimou Enric Sala, fundador da organização sem fins de lucrativos Pristine Seas, que também oferece consultoria para o governo caribenho.