O dólar atingiu sua menor cotação intradia desde junho de 2024 nesta segunda-feira, 26, a R$ 5,2612, na esteira do enfraquecimento global da divisa americana e com carry trade ainda atrativo. Contudo, o movimento perdeu força no fim da tarde diante da queda no preço das commodities e de uma pausa no rali do Ibovespa, indicando fluxo estrangeiro menor.
O dólar à vista fechou em queda de 0,12%, a R$ 5,2797, menor cotação desde 11 de novembro de 2025, acumulando recuo de 3,81% em janeiro.
Especulações sobre os Estados Unidos estarem coordenando, junto com o Japão, intervenções para dar sustentação ao iene fizeram o índice DXY – que mede o dólar contra uma cesta de pares fortes – atingir mínima em quatro meses. O mesmo fator apoiou alta das moedas emergentes. “A partir da situação de que os EUA podem entrar nessa intervenção para proteger o iene, pode ser que o país saia prejudicado do ponto de vista fiscal”, afirma o diretor de investimentos da Nomos, Beto Saadia.
Soma-se a isso a possibilidade de nova paralisação do governo americano caso os parlamentares democratas se recusem a votar o Orçamento sem mudanças de previsão para a segurança interna, após dois cidadãos morrerem em tiroteios com a agência de Imigração e Alfândega dos EUA, conhecida como ICE. O mercado de previsões ampliou a chance de novo shutdown, de 9% na sexta-feira para 81% esta segunda, conforme aponta a plataforma Polymarket.
Na seara geopolítica, o presidente Donald Trump ameaçou aplicar tarifas de 100% ao Canadá por negociações com a China. E ainda há incertezas sobre a escolha do novo presidente do Federal Reserve (Fed).
Falando em Fed, o banco central americano deve decidir sobre juros nesta quarta-feira, assim como o Comitê de Política Monetária (Copom), com perspectiva ainda de que o diferencial de juros no Brasil deve se manter atrativo.
Ainda assim, conforme o Ibovespa, as cotações de petróleo e do minério de ferro mantinham baixa nesta tarde, o câmbio se afastou das mínimas da sessão. “O fluxo para Bolsa deu uma segurada”, comenta o operador de câmbio Fernando Cesar, da AGK corretora.
Apesar da queda do principal índice da B3, nesta segunda Saadia, da Nomos, considera que o investidor global ainda está rotacionando sua carteira no universo micro. “Estamos vendo uma predileção maior por empresas que não são de tecnologia. Aquele fluxo que era para as 7 magníficas não está mais indo, está sendo redirecionado para empresas emergentes”, comenta.