Economia

Dólar sobe para R$ 4,12 com perspectiva de juro menor

Crédito: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

O real destoou de outras moedas nesta quinta-feira. Em dia de queda do dólar antes divisas fortes e de emergentes, como México, Rússia, África do Sul, a moeda americana chegou a ser negociada aqui a R$ 4,13 na máxima. Profissionais de câmbio ressaltam que novamente a perspectiva de queda dos juros, realimentada após a divulgação de dados decepcionantes das vendas no varejo de agosto, contribuiu para pressionar o câmbio, pois deixa os investimentos no País menos rentáveis. No mercado à vista, o dólar terminou o dia em alta de 0,49%, a R$ 4,1229.

Os estrangeiros estão mostrando mais cautela mesmo para investimentos em ofertas de ações, o que reduz ainda mais a entrada de dólares no Brasil. Na oferta de ações da Vivara, o estrangeiro ficou com 30% dos papéis. Dados da Anbima mostram que os investidores externos ficaram com 44,6% das ofertas de ações este ano até setembro, ante 63,7% no mesmo período do ano passado.

Para o estrategista de moedas em Nova York do banco BBVA, Alejandro Cuadrado, os juros baixos e a tendência de mais cortes pela frente estão mudando as operações com a moeda brasileira para os grandes investidores. A estratégia de “carry trade” (tomar empréstimo em país de juro baixo para apostar aqui) deixou de fazer sentido, observa ele. Ao contrário, a tendência de juros baixos reforçou o real como uma moeda para hedge (proteção), pois os custos aqui ficam menores que em outros emergentes com juro maior, como o México, Rússia e África do Sul. Ele prevê que o dólar vai terminar o ano em R$ 4,04.

Além do diferencial de juros, as mesas de câmbio operaram atentas às reuniões bilaterais em Washington entre China e Estados Unidos. O presidente dos EUA, Donald Trump, vai se encontrar com o vice-premiê chinês Liu He sexta-feira, anúncio que contribuiu para estimular o apetite por risco no mercado internacional, enfraquecendo o dólar. Para os estrategistas do banco Morgan Stanley, há um clima de “otimismo cauteloso” antes dos encontros em Washington.

Há esperança para algum tipo de acordo entre Pequim e Washington, ainda que possa ser somente parcial, após a China sinalizar essa disposição, avaliam os estrategistas do Danske Bank. Eles observam que algum comunicado das reuniões só deve vir no final da tarde de sexta, contribuindo para deixar os mercados apreensivos.

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