No último pregão do primeiro semestre do ano, o dólar caiu pela terceira sessão seguida ante o real, aos R$ 3,2105 (-0,83%) no mercado à vista, e encerrou o dia no menor nível desde 21 de julho de 2015, a R$ 3,1680. No período de três dias, a perda foi de 5,35%. Como resultado, houve baixa acumulada de 11,09% em junho, a maior queda mensal desde abril de 2003, quando cedeu 13,15%. No mercado de ações, o Ibovespa fechou em alta de 1,03%, a 51.526,92 pontos, acumulando valorização de 6,30% em junho e de 18,87% em 2016.
Declarações do secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Daniel Godinho, de que, por enquanto, a taxa de câmbio não está atrapalhando as exportações pesaram na cotação do dólar. Além disso, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, enfatizou que compete ao BC definir a estratégia para a convergência da inflação à meta de 4,5% em 2017.
Em conjunto, os comentários das autoridades foram interpretados no mercado como sinais de manutenção da Selic por período prolongado e de que o dólar pode continuar fraco em razão da possibilidade de novos fluxos de recursos estrangeiros, o que favoreceria o objetivo da autoridade monetária.
O desempenho negativo do dia resultou ainda da pressão derivada da disputa técnica, pela manhã, em torno da formação da última taxa Ptax de junho, disse o operador José Roberto Carreira, da Fair Corretora. A Ptax de hoje, que fechou em R$ 3,2098 (-1,04%), será usada amanhã para a liquidação do dólar julho e os ajustes dos contratos cambiais com vencimento futuros assim como dos balanços corporativos trimestrais.
No exterior, a percepção é de liquidez elevada e possíveis estímulos monetários, em resposta ao Brexit, que podem ajudar na entrada de recursos em países emergentes, como o Brasil. Hoje, o presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Mark Carney, realimentou essa aposta ao declarar que poderá haver “algum relaxamento monetário” em agosto.
Bolsa
A Bovespa avançou, também pelo terceiro pregão consecutivo, novamente influenciada pelo mercado internacional. O volume de negócios totalizou R$ 7,9 bilhões, acima dos R$ 6,4 bilhões da média diária de junho.
Em um dia de escassez de notícias de grande relevância, a alta das bolsas de valores no Brasil e no exterior foi determinada principalmente por declarações do presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Mark Carney. O executivo disse que a equipe do banco central acredita ser necessário cortar juros ao longo dos próximos meses. Carney indicou que medidas podem ser tomadas já na reunião de terça-feira do Comitê de Política Financeira, responsável pela regulação bancária.
“Os mercados passaram a considerar um corte de juros a partir das declarações do BoE, e isso levou as bolsas a acelerar ganhos na Europa e Estados Unidos. Esse foi fundamentalmente o motivo da alta nos mercados de ações”, disse Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da corretora Renascença.
Apesar da melhora do humor no mercado externo, os preços do petróleo seguiram em queda, em meio a preocupações com a oferta da commodity. Com isso, as ações da Petrobrás operaram em queda durante todo o dia, o que limitou bastante a alta do Ibovespa. Ao final do pregão, Petrobrás ON (ações com direito a voto) teve queda de 0,52%, enquanto Petrobrás PN (preferência no recebimento de dividendos) recuou 0,84%. No acumulado de junho, os papéis tiveram alta de 13,06% e 17,16%, respectivamente.
Na ponta contrária, a alta de 1,5% do minério de ferro no mercado chinês apoiou as altas das ações da Vale, que avançaram 3,56% (ON) e 1,24% (PNA) no dia. No mês, os papéis da mineradora contabilizaram valorização de 14,42% e 15,93%. As ações do setor bancário também foram destaque de alta no pregão desta quinta-feira, ainda no movimento de recuperação pós-Brexit. Nesse grupo, destaque para BM&FBovespa (+4,65%) e Banco do Brasil ON (+4,18%).