Dólar dispara após reeleição de Lula e chega a superar R$ 5,60

Moeda americana registra forte valorização nesta segunda-feira (26), enquanto Bolsa sofre queda acentuada e aciona mecanismo de suspensão das negociações

Foto: Germano Lüders/Exame | Edição: IstoÉ.
Foto: Foto: Germano Lüders/Exame | Edição: IstoÉ.

O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana sob forte tensão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta segunda-feira (26), o dólar comercial abriu em alta expressiva e chegou a superar R$ 5,60 durante a manhã, enquanto o Ibovespa registrou uma queda acentuada e provocou o acionamento do circuit breaker na B3.

A reação ocorreu no primeiro pregão após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), quando Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL).

O resultado contrariou as expectativas de parte dos investidores, que haviam ajustado suas posições financeiras diante da possibilidade de uma mudança no comando do governo federal.

Com a confirmação da continuidade de Lula na Presidência, o mercado passou a reavaliar as perspectivas para a política fiscal, os juros e o comportamento da dívida pública.

Dólar registra forte valorização na abertura

Nos primeiros minutos de negociação, o dólar comercial era vendido por aproximadamente R$ 5,42, uma valorização próxima de 8,7% em relação ao fechamento da sexta-feira (23).

Durante a manhã, a moeda americana ampliou os ganhos e chegou à faixa de R$ 5,60, em meio à elevada procura por proteção cambial.

O movimento representa uma mudança expressiva em relação ao comportamento registrado após o primeiro turno, quando o mercado reagiu positivamente à liderança de Flávio Bolsonaro.

Na ocasião, o real havia apresentado valorização diante do dólar, refletindo expectativas de investidores sobre possíveis alterações na condução da política econômica.

A cotação do dólar varia ao longo do pregão e os valores registrados durante a manhã não representam necessariamente o fechamento do dia.

Bolsa aciona circuit breaker após queda de 10%

A turbulência também atingiu o mercado de ações.

A B3 acionou o mecanismo de circuit breaker depois que o Ibovespa atingiu queda de 10% em relação ao fechamento anterior.

A medida suspendeu temporariamente as negociações por 30 minutos, conforme as regras de funcionamento da Bolsa.

Após a retomada das operações, o índice continuou sob forte pressão vendedora, registrando perdas superiores a 15% durante a manhã.

O circuit breaker é utilizado em situações de volatilidade extrema e tem como objetivo permitir que investidores reavaliem suas decisões antes da continuidade das negociações.

O mecanismo não impede novas quedas, mas busca reduzir os efeitos de movimentos desordenados no mercado.

B3 altera limites de oscilação dos contratos futuros

Diante da instabilidade, a B3 também adotou medidas excepcionais para os contratos futuros.

A instituição ampliou os limites de oscilação dos contratos de dólar e do Ibovespa, permitindo que os preços refletissem as mudanças abruptas nas expectativas dos investidores.

Esses contratos são utilizados por empresas e instituições financeiras para proteção contra variações cambiais e também em operações de investimento.

Quando há movimentos intensos nos mercados, alterações nos limites operacionais podem ser necessárias para preservar o funcionamento das negociações.

As medidas foram adotadas em um contexto de elevada volatilidade e aumento da procura por ativos considerados mais seguros.

Investidores demonstram preocupação com cenário fiscal

Entre os fatores apontados por analistas para explicar a reação estão as dúvidas sobre a trajetória das contas públicas durante o próximo mandato presidencial.

Investidores acompanham especialmente as perspectivas de crescimento da dívida federal, a evolução das despesas públicas e a capacidade do governo de cumprir metas fiscais.

A continuidade de programas sociais e as promessas de investimentos também fazem parte das avaliações sobre o futuro das contas públicas.

Essas preocupações influenciam as expectativas para os juros, o câmbio e o desempenho das empresas listadas na Bolsa.

O mercado também aguarda informações sobre a composição da equipe econômica e as prioridades que serão adotadas a partir de 2027.

Alta do dólar pode afetar preços e inflação

A valorização da moeda americana pode produzir efeitos sobre diferentes setores da economia brasileira.

Produtos importados, componentes industriais e matérias-primas negociadas internacionalmente podem ficar mais caros quando o dólar sobe.

O movimento também pode influenciar os custos de combustíveis, equipamentos eletrônicos e produtos utilizados pela indústria.

Por outro lado, empresas exportadoras podem se beneficiar da valorização da moeda estrangeira, dependendo de seus custos e contratos.

Os efeitos sobre a inflação dependerão da duração da alta cambial e da intensidade com que os preços serão repassados aos consumidores.

Mercado aguarda sinais do próximo governo

A volatilidade desta segunda-feira reforça a importância das primeiras sinalizações econômicas após a eleição.

Investidores devem acompanhar os anúncios sobre a política fiscal, a equipe ministerial e as medidas previstas para o próximo mandato de Lula.

A reação dos mercados também poderá ser influenciada pelo cenário internacional, incluindo decisões sobre juros nos Estados Unidos e movimentos de capitais entre países emergentes.

Enquanto essas definições não são apresentadas, o dólar e a Bolsa podem continuar sujeitos a oscilações expressivas.

Da IstoÉ