Economia

Dólar cai a R$ 4,18, atrai compradores e termina o dia em R$ 4,20

Crédito: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

O dólar chegou a ensaiar queda mais forte nesta quarta-feira, 4, mas perto do fechamento o movimento perdeu fôlego, assim como ontem. Mesmo assim, a moeda americana fechou a R$ 4,2023 (-0,08%), a terceira queda seguida. A perspectiva de aceleração da atividade, hoje alimentada pela divulgação da produção industrial de outubro, com alta de 0,8%, ajudou a estimular as vendas de dólares. O cenário externo hoje mais favorável, por conta de notícias de que Estados Unidos e China estão mais próximos de um acordo comercial, também contribuiu para enfraquecer o dólar ante divisas de países emergentes.

O dólar chegou a cair para R$ 4,18 na mínima do dia, mas o movimento perdeu fôlego, assim como ontem, perto do fechamento e a moeda voltou para o nível de R$ 4,20. Segundo um gestor, como a avaliação é que a moeda americana deve permanecer neste patamar por agora, quando recua abaixo de R$ 4,20, atrai compradores.

Na avaliação de José Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos (WIA), o enfraquecimento da moeda americana levou o real ao que é considerado o primeiro suporte, de R$ 4,18. “Aí chama comprador, afinal, da máxima de quase R$ 4,28 na semana passada, para esses R$ 4,18 são pouco mais de 2% de desvalorização em poucos dias”, ressalta.

De acordo com o profissional, a configuração do dólar para o curto prazo é de baixa – até porque há uma espera pelo dia 15 de dezembro, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, define os rumos da guerra comercial. Nesse sentido, diz Junior, se a moeda se mantiver abaixo dos R$ 4,22 por alguns dias, há mais chance de ir para perto dos R$ 4,15, tendo como grande suporte os R$ 4,10. Para o profissional da WIA, o pregão de hoje sofreu influência de uma sequência de dados positivos da economia chinesa, em especial, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês).

“O dólar caiu após uma melhora no otimismo de que EUA e China cheguem a um acordo comercial. Essa disputa limitou o crescimento da economia brasileira e trouxe efeitos colaterais, como as tarifas de aço e alumínio nos EUA”, afirma o analista de mercado financeiro da Oanda, Alfonso Esparza. Hoje, os dados da produção industrial reforçaram a visão de que o PIB brasileiro está em aceleração. JPMorgan e Morgan Stanley estão entre os bancos estrangeiros que melhoraram a previsão de crescimento para o Brasil.

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Hoje o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a tocar no tema do câmbio. Em entrevista ao site O Antagonista, ele falou que o Brasil seguirá com o real mais desvalorizado. De acordo com o diretor da WIA, quando diz isso, o ministro deve entender que acima de R$ 4,00 já é um nível mais alto. “Neste ano o dólar no exterior não parou de subir – estando agora apenas a 2% da máxima anual -, mas se e quando as condições lá fora mudarem, também haverá reflexo por aqui.”

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