Economia

Dólar cai 1,31% com Powell e perspectiva de Selic maior


O tom ameno do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e a perspectiva de uma alta mais pronunciada dos juros no Brasil, com bancos e consultorias já prevendo Selic na casa de 8% em 2022, levaram o dólar a encerrar o pregão desta quarta-feira, dia 28, em queda firme.

A avaliação é a de que a manutenção por mais tempo de estímulos monetários nos Estados Unidos e o impacto, por ora, reduzido da cepa Delta sobre a recuperação da economia global podem aumentar o apetite por ativos de risco – o que favorece a Bolsa brasileira e torna mais confortáveis as operações de “carry trade”. O grande bode na sala ainda é a indefinição em torno da reforma do Imposto de Renda, que gera temores de remessas antecipadas de lucros e dividendos e inibe o investimento estrangeiro direto.

À espera do Banco Central americano, o real já se fortalecia pela manhã, com operadores relatando entrada de recursos externos – via captações externas e para ofertas de ações na B3 – e as projeções de Selic cada vez mais gorda, começando com uma alta de 1 ponto porcentual na semana que vem, para 5,25% ao ano. O Banco Fibra, por exemplo, passou a projetar taxa básica a 7,5% neste ano (nível considerado neutro pelo banco) e de 8,5% em 2022.

Ao redor da estabilidade no meio da tarde, a moeda americana chegou a trabalhar momentaneamente em terreno positivo, assim que saiu o comunicado do Fed. Mas logo em seguida voltou a recuar e aprofundou as perdas em meio a declarações de Powell, consideradas ainda mais amenas que o tom do comunicado do BC americano.

Com máxima de R$ 5,1925 e mínima de R$ 5,1059 (na reta final da sessão), o dólar à vista encerrou o pregão em queda de 1,31%, a R$ 5,1099 – menor valor desde 14 de julho, quando fechou a R$ 5,0841.

O real, que costuma apanhar mais em dias negativos no exterior, hoje liderou o ranking das valorizações entre moedas emergentes. O índice DXY – termômetro do comportamento do dólar frente a seis divisas fortes – virou de mão e passou a cair após fala de Powell.

Como esperado, o Fed manteve a taxa de juros entre 0% e 0,25% ao ano e a compra mensal de bônus (US$ 80 bilhões em Treasuries e US$ 40 bilhões em títulos imobiliários). Tanto no comunicado quanto na coletiva de Powell, repetiu-se a avaliação de que as pressões inflacionárias são transitórias e que o quadro para a economia americana, a despeito da recuperação, ainda é desafiador. Falta chão para que os níveis de atividade e emprego pré-pandemia sejam retomados e, até lá, o Fed vai continuar dando sustentação à economia.

Na coletiva, Powell afirmou que a alta atual dos preços “não deve deixar marca permanente no processo de inflação” e que não há decisão sobre o momento de início da redução de compra de ativos (‘tapering’), ponto de divergência entre dirigentes do Fed.

Para o head de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, a ausência de alterações no discurso do Fed foi um “não evento” muito positivo e o real tende a ser beneficiado. “Com fluxo positivo e uma alta de 100 basis points (1 ponto porcentual) da Selic em agosto, o dólar deve cair mais”, diz Weigt, ressaltando que a moeda brasileira ainda está atrasada em relação a outras divisas emergentes e de exportadores de commodities, apesar do momento favorável dos termos de troca do país.

Weigt também vê o processo de alta da Selic para níveis perto de 7% como um atrativo para os exportadores internalizarem recursos, devido ao aumento do custo de oportunidade. Uma apreciação maior do real depende, contudo, do andamento da reforma tributária, que diminuirá a incerteza do investidor estrangeiro. “Se a reforma tributária tiver um bom encaminhamento”, o dólar pode ir para R$ 4,90 novamente ou até para baixo disso”, afirma.

O head da mesa de câmbio e operações PJ da Wise Investimentos, Gustavo Gomiero, vê um quadro benigno para a economia, com baixa letalidade da variação Delta, e ambiente político mais propício para aprovação de reformas, como a tributária e administrativa, na volta do recesso parlamentar. “A perspectiva é para estabilidade e até queda do dólar no curto prazo”, afirma Gomeiro, ressaltando que o comunicado do Fed trouxe “alívio” para os investidores.

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