Em entrevista à Glamour Brasil, a repórter Joanna de Assis contou sobre o aborto espontâneo que sofreu, falou do luto, da parceria com o marido, Henrique Barbosa, e contou dos percalços para descobrir possíveis causas para ter vivido o que viveu.
“Engravidei naturalmente no ano passado e foi uma surpresa pra mim, embora não estivesse evitando. Foi logo que eu cheguei no Brasil, depois de uma temporada de três anos nos Estados Unidos”, contou.
“É o que eu falo, as pessoas subestimam muito a dor. Lembro que quando eu cheguei no hospital, fiz um ultrassom e a primeira coisa que a atendente me disse foi: ‘você tem certeza de que você tá grávida, porque eu não vejo nada aqui’. Imagina você ouvir isso? Eu estava com sangue até o calcanhar. Eu falei: tenho certeza. E ela disse que não via absolutamente nada. É muito traumático”, relembrou.
Depois Joanna procurou sua ginecologista e ficou decepcionada com o que ouviu no consultório. “Ela falou assim: ‘Joanna, isso faz parte. Estatisticamente é normal, mas tenta de novo. Espera alguns meses e tenta de novo’. E foi assim, muito simples. Eu sentia que tinha que ser mais do que isso. Poxa, não vai me pedir nenhum exame? Não vai investigar o que aconteceu? A gente vai ficar nessa de ‘você é nova ainda’? E eu não sou nova! Eu tinha 38 anos. Então, aquela frase que eu ouvi não combinou com o que eu estava sentindo”, explicou.
A primeira pessoa para quem Joanna, inclusive, foi uma amiga que tinha sofrido um aborto espontâneo anos antes. Ela queria pedir perdão por não ter entendido e até ter julgado, mesmo que não tivesse falado nada na ocasião. “Eu estava no meio da minha dor e lembrei da dor dela de dez anos atrás. E toda vez que eu penso nisso fico muito emocionada. Foi a primeira coisa que eu pensei: como eu estava errada, é uma dor insuportável, dói demais. Eu não tinha ideia disso”, contou.
“Essa coisa de ouvir: você é nova, tenta de novo, daqui a pouco você engravida, você sabe que é normal, né? Normal, não é. Estatisticamente falando, não é normal. Uma gravidez tem 80% de chances de dar certo, 20% de dar errado. Então, não tem essa normalidade toda que as pessoas acham que tem. É horrível. Eu realmente parei de contar que estava sofrendo para não ouvir essas coisas, porque elas não te ajudam em nada. Elas só aumentam sua ansiedade, sua tristeza”, apontou.