Durante um evento da revista Harper’s Bazaar, a modelo e apresentadora Carol Ribeiro, de 45 anos, revelou que foi diagnosticada com esclerose múltipla e vive com a doença há algum tempo. Segundo ela, os incômodos começaram em 2023, mas a famosa acreditou que se tratava da menopausa. Carol, no entanto, continuava a se sentir estranha e optou por realizar uma bateria de exames.
“Quando os médicos fizeram a checagem dos hormônios, estava tudo bem. Eu achava que iria enlouquecer. Eu pensava: ‘Se isso é a menopausa, todas as mulheres vão enlouquecer'”, afirmou.
Não demorou muito para que o diagnóstico de esclerose múltipla fosse dado pelos especialistas. Após o diagnóstico, Carol Ribeiro iniciou o tratamento com hormônios, terapia e exercícios físicos. “Eu não escutava o que meu corpo pedia e precisava, pois tinha outras prioridades. Agora, tenho esse cuidado de escutar meu corpo e saber o que preciso”, afirmou.
“Depois que comecei o tratamento, eu não sinto mais nada, é como se a doença não existisse mais. Por isso, é importante olhar para dentro de você, nem que seja por alguns minutinhos na hora do banho ou do almoço”, completou.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com a enfermidade.
IstoÉ Gente fez um levantamento e mostra alguns famosos, assim como Carol Ribeiro, que sofrem de esclerose múltipla. Confira!
Em junho de 2022, a atriz Guta Stresser, que interpretou a personagem Bebel em A Grande Família, revelou ter sido diagnosticada com esclerose múltipla, uma doença inflamatória crônica, provavelmente autoimune.
Em 2009, Ana Beatriz Nogueira recebeu o diagnóstico de esclerose: “É uma doença cognitiva, mas sou obediente no tratamento. Depois de surtos cognitivos iniciais, nesses 12 anos não tive mais nada. Fiquei mais rápida. Me trouxe uma urgência de não perder tempo com bobagem”, declarou a atriz, ao falar sobre a condição.
Em 2006, no auge da carreira, a atriz Cláudia Rodrigues foi diagnosticada com esclerose múltipla. Após o diagnóstico, a artista se afastou dos trabalhos na televisão para iniciar o tratamento.
Diagnosticada com esclerose múltipla aos 49 anos, em 2021, Christina Applegate compartilhou em seu Twitter que tem lutado contra a doença em um “caminho estranho e difícil”.
Jack Osbourne, filho do músico Ozzy Osbourne, foi diagnosticado com esclerose após perder a visão de um olho de repente, depois do nascimento de sua filha. Jack fez uma ressonância magnética, que constatou lesões no cérebro e na coluna. Segundo ele, o lado emocional da doença é a parte mais difícil.
Jamie-Lynn Sigler, atriz famosa por estrelar a série Família Soprano, foi diagnosticada com a doença aos 20 anos de idade: “Eu pensei que significava cadeira de rodas. Achei que significava que a vida tinha acabado. E assim começou, tipo, meus quase 15 anos de negação. Não aceitava que era algo que fazia parte da minha vida porque eu não queria acreditar que esse seria o meu futuro”, contou em entrevista à revista Glamour.
Aos 40 anos de idade, a atriz Selma Blair foi diagnosticada com esclerose múltipla em 2018. Ela contou que já vivia com os sintomas da doença há anos, mas que não eram levados a sério pelo seu médico.
O que é esclerose múltipla?
A esclerose múltipla é uma doença autoimune do sistema nervoso central. Nesse caso, o sistema imunológico, que é o sistema de defesa responsável por atacar vírus e bactérias, pode sofrer modificações na pessoa com esclerose múltipla. Essas alterações podem ser causadas por fatores genéticos, deficiência de vitamina D, exposição a determinados vírus e fatores relacionados ao estilo de vida. Essas modificações fazem com que o sistema imunológico ataque o sistema nervoso central, gerando lesões que podem afetar o nervo óptico, o cérebro e a medula espinhal, que é o conjunto de nervos que passa pela coluna”, explica a neurologista Fernanda Ferraz à nossa reportagem.
Sintomas
Os sintomas da esclerose múltipla dependem da localização dessas lesões. Por exemplo, se houver uma inflamação no nervo óptico, a pessoa pode ter turvação visual. Se a inflamação afetar o território de nervos responsáveis pelo controle da força de um lado do corpo, a pessoa pode apresentar diminuição de força no braço e na perna. Múltiplos sintomas podem ocorrer, como dormência, descontrole da função da bexiga ou do intestino, tontura, desequilíbrio e visão dupla. Também sabemos que, muitos anos antes de surgir o primeiro sintoma neurológico típico, a esclerose múltipla pode causar sintomas inespecíficos, como fadiga, dor de cabeça, alterações de atenção e memória, e dores generalizadas. Por isso, o diagnóstico, às vezes, pode demorar um pouco.
Como diagnosticar a doença?
O diagnóstico da esclerose múltipla requer principalmente exames de imagem, como ressonância magnética do encéfalo e da medula espinhal, além da análise do líquido cefalorraquidiano, que envolve o tecido cerebral e a medula espinhal, para a pesquisa de proteínas inflamatórias nesse material. Além disso, são necessários vários exames de sangue para descartar outras causas desses sintomas neurológicos. Alguns pacientes também precisam de exames específicos para avaliar a função de certos nervos, como o nervo óptico e os nervos sensitivos.
Tratamento
O tratamento da esclerose múltipla envolve duas estratégias principais. A primeira é o tratamento do surto inflamatório agudo, que gera uma nova lesão e um novo déficit neurológico. Esse tratamento é chamado de pulsoterapia, em que se administra corticoide venoso em altas doses por 3 a 5 dias. Quando o surto é muito incapacitante, pode ser indicada também a plasmaférese, que consiste na filtragem do sangue por uma máquina que retira as proteínas inflamatórias da circulação.
A segunda estratégia é o uso crônico de medicamentos imunossupressores. Esses medicamentos modificam o funcionamento do sistema imunológico, diminuindo o surgimento de novas lesões e a progressão dos sintomas da doença. Além disso, mudanças no estilo de vida, buscando hábitos mais saudáveis, com estratégias de alimentação, suplementação de vitamina D quando indicada e prática de atividade física, ajudam muito no controle dos sintomas.
Existe cura?
Até o momento, não há cura para a esclerose múltipla. No entanto, com diagnóstico precoce e acesso a terapias de alta eficácia, a maioria dos pacientes evolui com excelente qualidade de vida e sem incapacidades.