Cultura

Do Rio a Bombai, Netflix imprime sua marca

Do Rio a Bombai, Netflix imprime sua marca

A atriz espanhola Úrsula Corberó, da série "La Casa de Papel", em Madri, em julho de 2019 - AFP/Arquivos


A Netflix, que tem vários filmes na disputa pelo Oscar neste domingo, impõe sua marca em todo o planeta e junto com a Disney é um dos poucos grupos de entretenimento capazes de criar referências culturais mundiais.

As duas séries mais pesquisadas no Google na Argentina em 2020? “Cobra Kai” e “Gambito da Rainha”, duas produções da Netflix, que tem mais de 200 milhões de assinantes (mais de dois terços fora da América do Norte).

Na Índia, outra série da plataforma, “La Casa de Papel”, lidera, assim como na Nigéria, enquanto no Egito ocupa o quinto lugar.

No Brasil, segundo o site Omelete, a exibição da terceira temporada de “Cobra Kai” no início de janeiro provocou um aumento de 75% nas buscas por escolas de caratê. No Iraque, opositores do governo gravaram e transmitiram um vídeo vestidos com os macacões e máscaras popularizados por “La Casa de Papel”.

Em todos os quatro cantos do globo, “a Netflix se tornou o destino número um para quem procura um novo título de sucesso no mundo”, escreveu recentemente Oliver Skinner, chefe de marketing da empresa de dublagem Voices.


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Capaz de transmitir em uníssono uma série traduzida para dezenas de idiomas, algo inédito, a Netflix conseguiu várias vezes nos últimos meses orientar a conversa dominante nas redes sociais sobre seu conteúdo, seja por meio da série de documentários “Tiger King” ou “Lupin”.

No entanto, existe uma lacuna entre as séries da plataforma e seus filmes. Apesar das 35 indicações ao Oscar, nenhuma delas (nem “A Voz Suprema do Blues”, nem “Mank” ou “Os Sete de Chicago”) teve grande impacto popular.

Num universo televisivo teoricamente mais fragmentado do que nunca, “algumas séries da Netflix (…) têm a mesma influência cultural das três principais redes americanas” (ABC, CBS e NBC) até aos anos 1980, estima Gabriel Rossman, professor de sociologia com especialização na indústria do entretenimento na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

“Dias Felizes” (1974-1984) ou “Dallas” (1978-1991) deram a volta ao mundo e marcaram uma geração de telespectadores, numa época em que as séries eram mais impostas do que escolhidas.

– “Folclorização”? –

A Netflix, que cresceu antes de seus concorrentes, mantém uma grande vantagem graças aos dados sobre hábitos de consumo de suas 207 milhões de contas, diz Aswin Punathambekar, professor da Universidade da Virgínia.

“Isso permite que entenda as tendências além da demografia e decida quais séries solicitar”, explica.

A pegada deixada pelo grande N vermelho é sem precedentes? “Isso equivale a questionar se a influência cultural da Netflix é mais forte do que a da Disney. Não tenho certeza se esse é o caso no momento”, pondera Louis Wiart, professor do Departamento de Ciências da Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas.

“O certo é que esses novos mercados emergentes na Ásia e na América Latina são uma prioridade para a Netflix” devido ao surgimento de uma classe média “que acessa novos modos de consumo digital e cultural” e que tem “forte afinidade com esta plataforma”, ressalta.

Para melhorar sua penetração no exterior e também atender à legislação local, a Netflix produz cada vez mais conteúdo local e pela primeira vez conseguiu fazer uma série espanhola (“La Casa de Papel”) e uma série francesa (“Lupin”) que se tornaram sucessos mundiais.

“A Netflix produz conteúdos locais, mas para o mercado global (…) que podem ser exportados para todo o mundo”, aponta Wiart. “Isso implica um risco de padronização (…), mas também um risco de folclorização dos conteúdos, ou seja, de busca por obras que valorizam aspectos típicos do território”.

“Estes conteúdos da Netflix têm um sotaque hollywoodiano muito forte. (A série de ficção sobrenatural que reimagina a Revolução Francesa) ‘La Révolution’ realmente faz você pensar em um blockbuster, por exemplo, e há muitos casos como este”.

Para Gabriel Rossman, a Netflix atingiu seu auge. A plataforma deve agora enfrentar a ascensão de ofertas concorrentes da Disney+ ou Amazon Prime, que querem limitar sua hegemonia usando a mesma estratégia, com uma base de programas em inglês e séries produzidas localmente.

A Netflix divulgou na terça-feira resultados que dão os primeiros sinais de desaceleração, e espera ganhar apenas um milhão de assinantes no segundo trimestre, contra 10 milhões no mesmo período de 2020.

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