Do musical ‘Diana’ ao cinema, atriz Giselle de Prattes amplia trajetória

Para atriz, viver simultaneamente essas duas experiências tem um significado especial dentro de sua carreira

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Giselle de Prattes. Foto: Divulgação.

Entre o palco e o audiovisual, a atriz Giselle de Prattes vive um momento de forte presença artística. Atualmente em cartaz no musical “Diana – A Princesa do Povo” e prestes a chegar aos cinemas com o filme “Minha Vida com Shurastey”, a artista transita entre diferentes linguagens em projetos que reforçam sua trajetória e ampliam seus desafios como intérprete.

Para ela, viver simultaneamente essas duas experiências tem um significado especial dentro de sua carreira. “Eu sinto que estou vivendo uma fase muito bonita da minha trajetória. Depois de tantos anos de caminhada na arte, poder estar ao mesmo tempo no palco com Diana: ‘The Musical’ e logo no cinema com ‘Minha Vida com Shurastey’ tem um significado especial para mim. São linguagens diferentes, processos diferentes, mas que me permitem contar histórias e me desafiar como artista.”

No musical inspirado na trajetória da princesa Diana, Giselle interpreta Camilla Parker Bowles, uma das figuras mais controversas da história recente da monarquia britânica. A complexidade da personagem foi justamente o que despertou seu interesse pelo papel. “O que mais me instigou foi justamente essa complexidade. Camilla é uma figura muito marcada pela narrativa pública e pelo julgamento histórico. Mas, como atriz, o meu interesse está sempre em olhar para além do rótulo. Eu quis entender a mulher por trás da imagem construída ao longo dos anos.”

Na construção da personagem, a atriz buscou explorar dimensões humanas que muitas vezes ficam ofuscadas pelo peso da história e da opinião pública. “Existe ali uma personagem cheia de camadas: força, fragilidade, escolhas difíceis, amor, ambição e sobrevivência emocional dentro de um sistema extremamente rígido. Para mim, o desafio foi encontrar humanidade dentro dessa figura que tantas vezes foi reduzida a um estereótipo. As contradições são sempre um lugar muito fértil para um ator.”

A composição da personagem exigiu também um trabalho técnico minucioso. Segundo ela, o espetáculo pede precisão na construção vocal, corporal e emocional. “Existe uma construção vocal específica, um ritmo de fala, uma postura corporal. Camilla tem uma presença que mistura certa elegância britânica com uma energia mais firme, quase defensiva em alguns momentos. Então foi necessário trabalhar muito o corpo, a voz e o estado emocional da personagem.”

Esse processo incluiu também um distanciamento de si mesma para encontrar a identidade da personagem. “Também precisei me afastar de mim mesma para encontrar essa mulher. Ela é muito diferente de quem eu sou. Esse deslocamento é sempre um processo intenso, mas também muito enriquecedor artisticamente.”

Se no teatro o desafio está na precisão da construção da personagem, no cinema o trabalho ganhou uma dimensão emocional distinta. No longa “Minha Vida com Shurastey”, Giselle integra o elenco de uma história que mobilizou milhões de pessoas nas redes sociais. “Esse projeto já chega carregado de emoção porque a história do Shurastey tocou milhões de pessoas. Quando um filme nasce de uma memória afetiva tão forte, o maior desafio é encontrar verdade dentro da narrativa sem perder o respeito por tudo o que aquela história representa para o público.”

Entre os aspectos mais marcantes das filmagens esteve a experiência de dividir o set com seu próprio filho, o ator Nicolas Prattes, com quem já compartilha uma longa história ligada ao teatro. “Nossa história com a arte começou muito cedo. Ele deu os primeiros passos no palco em um espetáculo que eu produzia e no qual também atuava. Então existe uma memória artística entre nós que vem de muito tempo. Trabalhar juntos hoje, em um outro momento da vida, foi simbólico. Claro que tivemos muitas conversas, trocas e reflexões fora das gravações. Existe uma cumplicidade natural quando dois atores compartilham também um vínculo tão profundo.”

Com passagens pelo teatro musical, televisão e cinema, Giselle afirma que hoje busca personagens que tragam conflitos humanos e maior densidade dramática. “Hoje eu busco personagens que tenham camadas. Me interessam mulheres complexas, contraditórias, que tragam conflitos humanos reais.”

No palco de “Diana – A Princesa do Povo”, ela encontra justamente esse tipo de desafio. “Camilla não é uma personagem simples. Ela exige compreensão psicológica, controle técnico e uma construção muito consciente de cada detalhe, da voz ao corpo, da emoção ao silêncio. Para mim, tem sido um processo de aprofundamento como atriz. Um convite constante para olhar para as nuances humanas, para as zonas de ambiguidade.”