Edição nº2606 06/12 Ver edições anteriores

Ditadura Federativa do Brasil

Com papai doente, o filho aguçou o dente. A democracia é lenta, tuítou! Mas logo o General em exercício na Alvorada falou que não era nada; e a Procuradora Geral, que ainda não deu o fora, disse que não era agora. Mas o alarme soou. Não tem mais dúvidas. Na família Bolsonaro, Carlos não gosta da democracia, mesmo quando foi ela que o colocou no poder.

Foi assim que ele escreveu. “Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos… e se isso acontecer. Só vejo todo dia a roda girando em torno do próprio eixo e os que sempre nos dominaram continuam nos dominando de jeitos diferentes! — Assinado: Carlos Bolsonaro. Me pareceu solene e eu fui ler de novo. Concordo! É verdade. A velocidade é inimiga da democracia. Tudo é mais rápido na ditadura. Não é preciso pedir autorização para ninguém!

Era assim em 1974, quando foram necessários apenas 476 brasileiros (dos mais de 100 milhões então) para escolher o presidente da República. Esses privilegiados faziam parte de um colégio eleitoral montado pelo governo militar para garantir a posse de mais um general no poder, Ernesto Geisel, que foi eleito com 400 votos, contra 76 dados a Ulysses Guimarães, do Movimento Democrático Brasileiro, que se lançou como “anti candidato” para marcar (o)posição.

Hoje, quase 180 milhões de pessoas podem eleger o presidente, o que faz do Brasil uma das maiores democracias do planeta. Mas, 34 anos depois, será que a nossa democracia de massas, moderna e vigorosa, feita de instituições fortes e de imprensa livre, é um caminho sem volta? Ou existem perigos maiores que os tuítes da família Bolsonaro?

Somando enrosco e encrenca, os filhos do Presidente são um problema crescente. Falam de mais e usando as redes sociais enfraquecem o Pai que não precisava tanta distração na dificílima tarefa de governar o Brasil.

Apenas Millôr Fernandes diria melhor. Fique tranquilo seu Carlos Bolsonaro, você pode dormir descansado. Porque se “Democracia é quando eu mando em você e Ditadura quando você manda em mim”…. tá tudo certo. já é assim!


Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


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