Um incidente envolvendo um avião da companhia FlyDubai, que voava dos Emirados Árabes Unidos para Tel Aviv em 30 de setembro, gerou um alerta por possível sequestro e reacendeu a disputa política em Israel. O episódio ocorre a menos de um mês das eleições de 27 de outubro e em meio a um contexto de temor crescente de novos ataques contra o país, após os atentados terroristas de 7 de outubro de 2023.
Da IstoÉ com ANSA
Após o incidente aéreo, acusações e suspeitas ressurgiram entre o governo e a oposição. A tensão já estava em pauta devido a um vídeo em que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que busca a reeleição, alertava sobre possíveis ataques durante o período eleitoral.
“Há sinais de que nossos inimigos tentarão nos atacar em vista das eleições. Não se coloquem contra nós, nem agora nem nunca. Vamos alcançá-los onde quer que estejam e quando for necessário”, afirmou o premier na gravação, registrada em uma base militar na última terça-feira, 29 de setembro.
Reações e acusações da oposição
As declarações de Netanyahu provocaram uma reação imediata dos adversários políticos. O partido Yashar, liderado pelo principal rival de Netanyahu nas urnas, Gadi Eisenkot, exigiu que o líder da oposição, Yair Lapid, fosse informado imediatamente sobre qualquer nova ameaça à segurança.
“Se as declarações de Netanyahu estão corretas, é necessário informá-lo imediatamente”, afirmou a legenda em sua conta na rede social X, levantando a suspeita de que o vídeo seria uma manobra política para influenciar o pleito.
Lapid afirmou, posteriormente, ter participado de uma reunião de segurança com Netanyahu na noite da terça-feira, mas garantiu que não recebeu nenhuma informação sobre um possível ataque aéreo. “Nada parecido com o incidente desta manhã surgiu durante a reunião de segurança com o primeiro-ministro. Nenhuma referência, nenhuma menção, nenhuma indicação”, escreveu Lapid no X, acusando o governo de usar a segurança novamente para fins políticos.
Há discordância sobre as ameaças de segurança?
Segundo o Canal 12, no entanto, uma fonte próxima a Netanyahu negou a versão de Lapid. A fonte afirmou que a Secretaria Militar havia informado o opositor, no dia anterior, sobre um “aumento significativo” da ameaça de possíveis ataques no exterior, com uma “magnitude não registrada há anos”.
Ao longo do dia, o confronto político foi ofuscado pelo desenrolar do incidente aéreo. Gadi Eisenkot manifestou nas redes sociais seu reconhecimento aos israelenses que evitaram que o avião da FlyDubai terminasse em queda. Yair Lapid também informou ter solicitado informações urgentes ao gabinete do primeiro-ministro.
“Quero entender se as ameaças são reais e, nesse caso, como o primeiro-ministro está se preparando desta vez para garantir que as eleições transcorram sem problemas”, afirmou Lapid. (ANSA)