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Dispersão de usuários da Cracolândia era ‘esperada e planejada’, diz secretário


A Prefeitura de São Paulo e o governo do Estado iniciaram nesta segunda-feira, 22, a busca por usuários de droga da Cracolândia para convencê-los a iniciar tratamento. Um dia após a megaoperação das Polícias Militar e Civil na região, que prendeu 38 pessoas, os dependentes avançaram para outras vias fora do “quadrilátero do crack”. Segundo David Uip, secretário estadual da Saúde, a dispersão era “esperada e planejada”.

“As pessoas foram buscar outros lugares e era absolutamente esperado e planejado. Nós sabíamos que ia acontecer e estamos preparados”, disse o secretário.

Segundo ele, 200 agentes das áreas da saúde e de assistência social da Prefeitura e do Estado já estão nas ruas para buscar os usuários e oferecer atendimento. Desde a operação, segundo o secretário, já foram atendidas 38 pessoas no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod) e 13 internações voluntárias no Centro de Convivência do programa Recomeço, na Rua Helvétia.

“Estão indo em busca de convencimento para que eles venham ao atendimento no Cratod e na Helvétia. Essa é uma palavra importante: convencimento. Ninguém vai fazer algo truculento ou brusco”, disse Uip.

O secretário municipal da Saúde, Wilson Pollara, disse que 300 usuários passaram a noite em abrigos da Prefeitura. Segundo Pollara, a administração na próxima semana irá instalar, ao lado da unidade do Recomeço, um Centro de Atendimento Psicossocial (Caps). A estrutura pré-fabricada tem capacidade para receber até 80 pessoas por dia.

Neste domingo, 21, 600 agentes participaram da ofensiva contra o tráfico de drogas na Cracolândia, que ainda contou com apoio de helicópteros que sobrevoaram a área. Para ação, foram expedidos cerca de 70 mandados de prisão e 50 de busca e apreensão.

Ao final da operação, o prefeito João Doria (PSDB) disse acreditar que a área não voltará a ser um ponto frequente de venda e uso de drogas. No entanto, Uip disse não ser possível “predizer” o futuro da região. “Não consigo predizer as coisas. Eu trabalho com fatos e com ciência. Vamos publicar cientificamente uma porção de dados. Eu trabalho com isso: com ciência e com fato. Não trabalho com previsão, nem do lado otimista nem do lado pessimista. Temos que fazer o que é devido e amparado pela ciência”, afirmou.


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