Disparos de foguetes perto do Parlamento iraquiano em reunião para eleger novo presidente

Disparos de foguetes perto do Parlamento iraquiano em reunião para eleger novo presidente

Foguetes feriram dez pessoas nesta quinta-feira (13) na Zona Verde de Bagdá, onde o Parlamento iraquiano está reunido para tentar eleger um novo presidente e tirar o país de um impasse político marcado pela violência.

A sessão começou com duas horas de atraso, uma vez alcançado o quórum necessário, com 269 deputados dos 329 reunidos no hemiciclo, indicou um correspondente da AFP.

Enquanto isso, os blocos apressavam as negociações até o último minuto em um país de muitas religiões e multiétnico, altamente polarizado.

Essas tensões foram evidenciadas pela queda de nove foguetes do tipo katyusha na Zona Verde, o setor ultrasseguro de Bagdá onde estão localizados o Parlamento, outras instituições governamentais e embaixadas, bem como em um bairro vizinho, segundo as forças de segurança .

Um projétil caiu perto do Parlamento. Um correspondente da AFP que acompanhava a sessão ouviu várias explosões.

O ataque não foi reivindicado até o momento.

Dez pessoas ficaram feridas pelos disparos, incluindo seis membros das forças de segurança que garantiam a segurança dos deputados, segundo um oficial do setor. Quatro civis foram feridos por um foguete que caiu no bairro vizinho.

Mais de um ano após as últimas eleições legislativas em 10 de outubro de 2021, os funcionários da política iraquiana ainda não conseguiram chegar a um acordo sobre um novo presidente ou um novo primeiro-ministro, apesar das intermináveis negociações.

Essa paralisia política dificulta reformas e grandes projetos de infraestrutura em um país rico em hidrocarbonetos, mas devastado por décadas de conflito.

No Iraque, o cargo de presidente é tradicionalmente reservado a um curdo, mas há meses os dois partidos históricos dessa comunidade disputam o cargo, sem chegar a um acordo.

As tensões também são significativas entre os dois blocos xiitas, a comunidade majoritariamente muçulmana no Iraque, e no Parlamento.

– “Tudo pode mudar” –

O governo do Estado costumava cair para a União Patriótica do Curdistão (UPK), que apresentou o atual presidente Barham Saleh como candidato. Mas o Partido Democrático do Curdistão (PKD) nomeou o atual ministro do Interior do Curdistão autônomo, Rebar Ahmed.

Em meio à disputa entre os dois partidos, surgiu um candidato de última hora: o ex-ministro Abdel Latif Rachid, líder histórico do UPK, que apresentou ele mesmo sua candidatura.

O PDK, com 31 deputados, finalmente retirou seu candidato e votará neste veterano político de 78 anos, disse um alto funcionário do partido à AFP.

Uma vez eleito pelos deputados, o novo presidente deve designar o primeiro-ministro, escolhido pela maior coalizão do Parlamento.

“Ainda não está claro se os partidos curdos chegaram a um acordo sobre o presidente”, disse o cientista político Hamzeh Hadad.

Para o cargo de primeiro-ministro, “o favorito é Mohamed Chia al Sudani”, disse o cientista, referindo-se ao ex-ministro de 52 anos, escolhido pelo Marco de Coordenação.

“Mas na política iraquiana, tudo pode mudar no último minuto”, afirmou.