Saúde da mulher

Disco e coletor menstrual favorecem a saúde feminina durante o ciclo; saiba tudo sobre eles 

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Menstruação é um dos períodos mais incômodo para as mulheres: cólica, alteração de humor, sensibilidade nos seios e inchaço são alguns dos sintomas que acompanham essa fase, e podem ser amenizados com a adesão de certas práticas e hábitos durante o ciclo. Mas e o desconforto com o uso de absorventes? Esse também é um problema e, acredite, tem solução prática.

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Disco menstrual e coletor menstrual podem ser as melhores escolhas durante a menstruação. “São muito mais saudáveis, confortáveis, econômicos e sustentáveis [podem ser usados por até três anos] do que os absorventes descartáveis. Depois que a mulher coloca [uma dessas opções], não sente que está dentro do corpo, então é muito mais confortável e, como pode ser usado por até 12 horas seguidas, acaba sendo mais prático”, garante Mariana Betioli, CEO da Inciclo e especialista em saúde menstrual.

Embora essas peças façam parte da lista de “coisas necessárias para a saúde feminina”, ainda existem muitas dúvidas sobre o assunto. Para a IstoÉ, Mariana esclareceu os principais questionamentos. 

Disco ou coletor? Saiba as diferenças

Embora tenham a mesma finalidade, disco e coletor possuem algumas diferenças. O primeiro, por exemplo, costuma ser usado durante o sexo no período menstrual, pois fica encaixado em volta do colo do útero, o que evita a presença de sangue durante o ato, sem atrapalhar a penetração. O segundo, fica localizado na entrada do canal vaginal e se encaixa nas paredes da vagina formando um vácuo e vedando a passagem de sangue, porém não possibilita o ato sexual.

“O disco menstrual é indicado para usar durante a menstruação e pode ser usado também durante o sexo. Fora do período menstrual não tem utilidade. Vale lembrar que não deve ser usado como método contraceptivo”, destaca a CEO da Inciclo. 

Benefícios

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Mulheres adaptas ao coletor e/ou disco não precisam se restringir durante a menstruação. Ambas as opções podem ser usadas de maneira confiável na prática de exercícios físicos, inclusive em piscinas, e na hora de dormir.

Segundo Mariana, os absorventes externos abafam a vulva, o que pode elevar o risco de infecção, preocupação que não acomete o uso de coletor e disco, opções que mantêm a região íntima arejada. 

E se você pensa que absorventes internos podem ser boas alternativas, está enganada. “Eles acabam sugando não só a menstruação. 65% do que eles absorvem é umidade natural da vagina, o que acaba desregulando o pH e tornando esse ambiente mais propício para a proliferação de fungos e bactérias”, como a Síndrome do Choque Tóxico (SCT) — condição causada por uma grave infecção pelas bactérias Staphylococcus aureus ou Streptococcus pyogenes, que em casos mais graves pode levar à falência de órgãos e amputação de membros.

Os benefícios podem ser usufruídos por qualquer mulher durante a menstruação, exceto em período pós-parto, em que não é recomendado nenhum produto de uso interno. No entanto, enquanto o disco é tamanho único, o coletor precisa de atenção durante a escolha do modelo, que varia conforme a idade e questão de maternidade. “O tamanho A é para mulheres com 30 anos ou mais, ou para quem já é mãe. O B é para quem tem entre 20 e 29 anos e não tem filhos. E tem o tamanho teen, que pode ser usado desde a primeira menstruação até os 19 anos, mesmo por meninas que são virgens”, explica Mariana.

A virgindade não é motivo de receio. Nesse caso, a especialista esclarece que não há nenhuma restrição, nem mesmo influencia na adptação. “Durante o uso do coletor, absorvente interno ou até mesmo durante uma queda, ou movimento brusco, podem acontecer pequenas fissuras no hímen, mas isso não significa que a pessoa não é mais virgem. O que importa mesmo é se a menina se sente à vontade para usar.”

Higiene

É essencial respeitar o intervalo de 12 horas para retirar a peça e fazer a higiene adequada. A limpeza deve ser realizada com água e sabonete neutro, e entre um ciclo e outro é necessário ferver o disco ou coletor por 5 minutos na cápsula esterilizadora. Além disso, é preciso estar com as mãos devidamente lavadas ao manusear — tanto para colocar quanto retirar.

Não é obrigatório possuir um estoque de modelos. A CEO da Inciclo garante que uma peça é suficiente, contudo muitas mulheres preferem ao menos duas opções, uma para deixar no banheiro de casa e outra na bolsa.

Como colocar

Talvez uma das maiores dúvidas sobre esse assunto seja a inserção. Afinal, o disco e/ou coletor menstrual pode ficar preso na vagina? Não! “O canal vaginal tem de 7 a 10 centímetros, então facilmente conseguimos puxar com a ponta dos dedos. Muitas mulheres acreditam que a vagina é muito comprida e qualquer coisa pode se perder ali, mas, na verdade, é curtinha e o colo do útero fica no fundo do canal e nada passará dali”, esclarece Mariana.

Ambas as opções são de fácil — e rápida — colocação e retirada, e aprimoram com a prática e adaptação. O disco tem apenas um tipo de dobra e não precisa de vácuo para se encaixar. Já o coletor possibilita diferentes dobras, que variam conforme a adaptação individual. “O importante [do coletor] é deixá-lo um pouco menor para facilitar a introdução. Ao colocá-lo, vai abrir e formar o vácuo para se encaixar direitinho no canal vaginal”, explica a especialista.

A seguir confira um vídeo da Inciclo com o passo a passo da inserção e remoção do coletor menstrual:

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