Dirigente do Hamas afirma que grupo não entregará suas armas

Segundo dirigentes israelenses, o movimento islamista ainda dispõe de 20.000 combatentes e de dezenas de milhares de armas em Gaza

AFP
Combatente do braço armado do Hamas com crianças no sul de Deir al Balah, no centro de Gaza, em 13 de outubro de 2025 Foto: AFP

Um líder do Hamas, Khaled Meshal, afirmou neste domingo (8) que o movimento islamista palestino não renunciará às suas armas e rejeitará qualquer domínio estrangeiro na Faixa de Gaza, apesar dos pedidos de desarmamento por parte de Israel e Estados Unidos.

“Criminalizar a resistência, suas armas e aqueles que a realizaram é algo que não devemos aceitar”, declarou Meshal em uma coletiva em Doha, acrescentando que o armamento do Hamas é parte integrante da “resistência” contra Israel nos territórios palestinos.

“Enquanto houver ocupação, há resistência. A resistência é um direito dos povos sob ocupação (…). É algo do qual as nações se orgulham”, declarou o ex-chefe do gabinete político do grupo islamista, que atualmente dirige o escritório da diáspora do movimento.

Após o cessar-fogo de 10 de outubro, o plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para pôr fim definitivo à guerra entre Israel e Hamas entrou, em meados de janeiro, na sua segunda fase, que prevê o desarmamento do movimento e a retirada progressiva do Exército israelense de Gaza.

Mas o Hamas, que governa o território desde 2007, faz do seu desarmamento uma linha vermelha, embora sem descartar entregar suas armas a uma futura autoridade palestina.

Segundo dirigentes israelenses, o movimento islamista ainda dispõe de 20.000 combatentes e de dezenas de milhares de armas em Gaza.

O governo do território, devastado por dois anos de guerra, deverá ser confiado, em uma fase transitória, a um comitê de 15 tecnocratas palestinos, sob a autoridade do chamado “Conselho de Paz”, presidido por Trump.

Neste domingo, Meshal fez um apelo à esta entidade para que adote uma visão “equilibrada” que facilite a reconstrução de Gaza e o fluxo de ajuda humanitária, ao mesmo tempo que advertiu que o Hamas não aceitará uma “dominação estrangeira”.

 

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