Um manifesto assinado por 17 dos 27 diretórios estaduais do MDB pedindo a neutralidade do partido na eleição presidencial foi entregue nesta terça-feira, 3, ao presidente nacional da legenda, Baleia Rossi. A iniciativa foi revelada pelo jornal Folha de S. Paulo e confirmada pela IstoÉ.
Vice-governador de Goiás e presidente do MDB no estado, Daniel Vilela afirmou à IstoÉ que o objetivo do documento é mostrar que “ao menos 70% da convenção do partido” é contra uma eventual aliança com o PT pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Esse ruído [de acordo com o PT] pode prejudicar o partido na janela partidária [período entre 6 de março e 5 de abril em que deputados podem trocar de legenda sem perder o mandato]. Além disso, é inconcebível que sejamos tratados como golpistas até em desfile de Carnaval por termos tirado o Brasil do fundo do poço”, disse, em referência à representação do ex-presidente Michel Temer (MDB), vice que assumiu o cargo após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), pela escola de samba Acadêmicos de Niterói (RJ).

Daniel Vilela: vice-governador de Goiás defende que MDB esteja em ‘aliança de centro-direita’ na eleição presidencial
Vice de Ronaldo Caiado (PSD), Vilela defendeu a neutralidade do partido diante da falta de pretensão de candidatura própria ao Palácio do Planalto, mas pessoalmente trabalha por uma “aliança de centro-direita” em torno do governador de Goiás. A candidatura de Caiado, no entanto, ainda depende do aval do PSD, que também tem os governadores Eduardo Leite (RS) e Ratinho Júnior (PR) como postulantes.
O manifesto pela neutralidade reúne, além dos diretórios estaduais, as assinaturas do presidente da Fundação Ulysses Guimarães, deputado Alceu Moreira (RS), e dos prefeitos de São Paulo, Ricardo Nunes, e de Porto Alegre, Sebastião Melo, duas maiores administrações municipais do MDB.
A possível aliança do MDB com Lula
O desabono à aliança com Lula contraria ala do partido representada na Esplanada dos Ministérios, com Jader Filho (Cidades), Renan Filho (Transportes) e Simone Tebet (Planejamento), que defende apoio à reeleição do petista e até mesmo pleitear vaga que hoje é de Geraldo Alckmin (PSB) na vice-presidência, como mostrou a IstoÉ neste vídeo.
Essa configuração é endossada por petistas. Na última semana, o ministro da Educação, Camilo Santana, sugeriu abertamente esse acordo e citou Renan Filho, Tebet e o governador do Pará, Helder Barbalho, como bons nomes do partido para a composição de chapa com o presidente, ampliando sua aliança ao centro.
Na última eleição, o MDB apresentou a candidatura de Tebet à Presidência no primeiro turno, mas ainda assim houve divisão nos estados, com apoio a Lula em diretórios como os de Alagoas e Amazonas e a Jair Bolsonaro (PL) na região Sul.
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