O Brasil está embalado na torcida por mais um Oscar. Neste ano, as chances estão concentradas no filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, algo que é apontado, inclusive, pelas revistas especializadas dos Estados Unidos. As indicações da Academia só vão sair no dia 22 deste mês. Mas, além do longa estrelado por Wagner Moura (que é uma das apostas para Melhor Ator), há outro filme com possibilidade de conquistar uma estatueta para o país na premiação mais famosa da indústria cinematográfica: “Sonhos de Trem”, dirigido pelo norte-americano Clint Bentley e protagonizado pelo australiano Joel Edgerton. Quem assina a direção de fotografia do longa é o paulista Adolpho Veloso.
Ele conquistou no domingo passado, 4, o prêmio de Melhor Fotografia do Criticis Choice Awards e, assim, seu nome ganhou mais evidência entre os brasileiros. “Sonhos de Trem” já está na lista de pré-indicados do Oscar na categoria. Com a vitória no Critics, primeiro evento da temporada de premiações que foi transmitido para o país, o nome de Veloso – que atuou na publicidade e também com clipes musicais – ganhou mais projeção.
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Vivendo em Lisboa, mas continuamente em viagens na realização de projetos internacionais, o brasileiro responde pela cinematografia de quatro longa-metragens de ficção: “Rodantes” (2019), do brasileiro Leandro Lara, “Mosquito” (2020), do português João Nuno Pinto e “Jockey” (2021), de Bentley.
Sim, “Sonhos de Trem” é seu segundo trabalho com o cineasta norte-americano. Bentley o procurou impactado pelo documentário “On Yoga: Arquitetura da paz” (2017), de Heitor Dhalia, do qual fez a fotografia (Veloso e Dhalia se conheceram na produção de campanhas publicitárias).
“Bentley entrou em contato comigo e fizemos ‘Jockey’, um filme com uma equipe bem pequena. Foi incrível. Ele me chamou de novo para ‘Sonhos de Trem’. Recebi as primeiras versões do roteiro e amei”, contou Veloso.

“Sonhos de Trem” narra a história de um lenhador, Robert Grainier (Edgerton), que trabalha na construção de uma linha ferroviária no oeste dos Estados Unidos no início do século 20
Produzido pela Netflix, o filme narra a história de um lenhador, Robert Grainier (Edgerton), que trabalha na construção de uma linha ferroviária no oeste dos Estados Unidos no início do século 20. O roteiro mostra, com sensibilidade, a solidão que o personagem atravessa em longos períodos de isolamento na natureza, cortando árvores gigantescas, junto com outros trabalhadores, tão peculiares quanto ele. A composição das imagens, com a exploração de luz natural e de paisagens majestosas, ajuda a conectar o público aos sentimentos e às reflexões de Grainier.
“Foi bem difícil fazer ‘Sonhos de Trem’, pelo tamanho que ele tinha e pela quantidade de tempo que tínhamos para filmar”, revelou. Apesar do entusiasmo e dos talentos reunidos em torno do projeto, Veloso admitiu ter se surpreendido com as indicações e os resultados alcançados pela produção. “Não dá para imaginar aonde ele vai chegar enquanto você está fazendo o filme”.
Veloso está indicado em diversos prêmios na área de fotografia, como Independent Spirit Awards (que revelará os ganhadores no dia 12 de fevereiro), Satellite Awards (cuja festa será no dia 08 e março) e o da American Society of Cinematographers, que anunciará os vencedores no dia 08 de março).
Entre seus próximos projetos estão os longas “Remain”, do diretor M. Night Shyamalan, com Jake Gyllenhaal; e “Queen at Sea”, de Lance Hammer, com Juliette Binoche.
Formado em Cinema, Veloso percebeu logo que a parte de direção de fotografia era a de que mais gostava. As primeiras oportunidades que teve foram com curtas de amigos e com a publicidade. Fez diversas campanhas no Brasil e também no exterior. Como diz, aprendeu muito com a publicidade porque é possível experimentar linguagens e equipamentos, além de conhecer talentos que transitam para o cinema, o que também aconteceu com ele.
Perguntado sobre referências, Veloso fez questão de destacar um nome, entre diversos profissionais que admira: César Charlone, fotógrafo e cineasta uruguaio, radicado no Brasil, conhecido, entre outros trabalhos, pela fotografia de “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles. “É um filme brilhante, que abriu nossos olhos, mostrando que a gente consegue chegar lá. Charlone é inspirador”.