Dinamarca diz que ambição dos EUA de tomar Groenlândia ‘segue intacta’

Ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia se reuniram em Washington com o vice-presidente americano, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio

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Iceberg em frente à cidade de Kulusuk, na Groenlândia, em 16 de agosto de 2019 - Foto: AFP/Arquivos

A primeira-ministra da Dinamarca advertiu, nesta quinta-feira (15), que “segue intacta” a ambição americana de tomar a Groenlândia, um território autônomo dinamarquês no Ártico onde está previsto o início de uma missão militar europeia.

O presidente americano, Donald Trump, ameaçou anexar a ilha, alegando que ela é vital para a segurança de seu país, sob o argumento de que, caso contrário, seria ocupada pela Rússia ou pela China. A Casa Branca afirmou que analisa comprá-la, sem descartar uma intervenção militar nesse território rico em recursos minerais.

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Na quarta-feira, os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia se reuniram em Washington com o vice-presidente americano, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou em comunicado nesta quinta-feira que está sendo formado “um grupo de trabalho” para tratar de como a segurança no Ártico poderia ser aprimorada.

Mas “isso não muda o fato de que existe um desacordo fundamental, porque a ambição americana de assumir o controle da Groenlândia segue intacta”, disse em nota enviada à AFP.

“É obviamente um assunto grave, e seguimos com nossos esforços para impedir que esse cenário se concretize”, acrescentou Frederiksen.

A Dinamarca enviou reforços militares ao território autônomo e conseguiu que vários países europeus instalassem ali uma missão de reconhecimento de suas forças armadas.

França, Suécia, Alemanha e Noruega anunciaram que vão deslocar pessoal militar para essa operação de reconhecimento, inserida no exercício dinamarquês “Arctic Endurance”.

“As primeiras unidades militares francesas já estão a caminho. Outras virão em seguida”, afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron, na rede social X.

“Explorar opções”

O Ministério da Defesa da Alemanha afirmou, nesta quinta-feira, que a missão de reconhecimento tem como objetivo “explorar opções para garantir a segurança diante das ameaças russas e chinesas no Ártico”.

Segundo a Alemanha, essa “exploração” ocorrerá de quinta-feira a sábado.

Trump fala em anexar a Groenlândia desde que voltou ao poder há um ano. Mas elevou o tom após o ataque americano na Venezuela, com o qual depôs o presidente Nicolás Maduro.

Para tentar apaziguar Washington, Copenhague prometeu “reforçar sua presença militar” na Groenlândia a partir de quarta-feira e dialogar com a Otan, da qual faz parte, para ampliar a presença aliada no Ártico.

Além disso, reitera ter investido quase 14 bilhões de dólares (R$ 75,2 bilhões) na segurança do Ártico, embora Trump tenha ironizado a iniciativa: “Digam à Dinamarca que saiam daí, JÁ! Dois trenós de cães não bastam!”.

Enquanto as conversas de quarta-feira aconteciam, a Casa Branca publicou na rede X um desenho com dois trenós puxados por cães: um seguia em direção à Casa Branca e a uma enorme bandeira americana, e o outro às bandeiras chinesa e russa sobre o Kremlin e a Grande Muralha, atingidos por raios.

Antes do encontro em Washington, porém, bandeiras vermelhas e brancas da Groenlândia se multiplicavam na capital do território, Nuuk. Elas decoravam vitrines de lojas, janelas de casas, carros e ônibus, e apareciam até no cabo de um guindaste, segundo um jornalista da AFP presente no local.

“É muito assustador, porque é algo enorme”, comentou sobre os planos de Trump a professora Vera Stidsen, de 51 anos, ao sair de um supermercado.

A incorporação dos 2,16 milhões de km² da Groenlândia faria os Estados Unidos superarem China e Canadá e se tornarem o segundo maior país do mundo em extensão territorial, atrás apenas da Rússia.