Diminutivozinho

É em momentos difíceis que se mede a estatura de um homem. Renan Calheiros atravessa momentos difíceis com a Lava Jato coladinha nele. Renan Calheiros demonstrou então, nos últimos dias, qual a sua estatura no quesito da boa educação: ela tem o tamanho de um diminutivo. Renan Calheiros anda tenso e transformou a sua irritação numa espécie de cruzada republicana como se a tripartição dos poderes e sua independência e harmonia tivessem sido feridas com a prisão de policiais legislativos por ordem de um juiz de primeira instância – não foram não, até porque policial legislativo não tem prerrogativa de foro (era só o que faltava!). Nada justifica, portanto, tentar aliviar as fobias particulares projetando-as em causas públicas. Nada justifica a descortesia. E Renan Calheiros foi descortês ao chamar de “juizeco” o juiz federal de primeira instância Vallisney de Souza Oliveira.

Diminutivo é uma tradição brasileira, carinhosa até, legada pelo passado da grande propriedade rural e do patriarcado, passado do qual se engendrou o conceito do “homem cordial” (Sérgio Buarque de Hollanda, a partir de expressão de Ruben Dario). “Cordialidade” que sobreviveu ao tempo e desembarcou em um Brasil urbano (como previra, ao contrário de Sério Buarque, Gilberto Freyre). Mas o uso do diminutivo é carinhoso, sobretudo quando é empregado ao nome. Por exemplo, no futebol: Zizinho (nem eu nem ninguém da minha geração viu jogar, mas dizem que foi craque), Julinho, Jairzinho, Ronaldinho, Pedrinho, Robinho etc. Mais: Vinicius de Moraes, uma das melhores almas que passaram por esse País, lançou a bossa nova, rica em diminutivos. Ouça-se o clássico “Chega de Saudade” e lá está a transparência do verso “pois há menos peixinhos a nadar no mar, do que os beijinhos que darei na sua boca”.

Renan Calheiros demonstrou, nos últimos dias, qual a sua estatura
no quesito da boa educação: ela tem o tamanho de um diminutivo

O diminutivo, quando referindo-se a profissões, cargos ou funções, aí é descortesia: juizeco, jornalistazeco, chefete, jogadorzinho, politicozinho. É aí que Renan Calheiros foi mal, muito mal, dando-se ares de uma indignação republicana que nem sempre o habitou. Ele esteve envolvido em acusações de uso da máquina pública quando implantou cabelos na calva, e agora é alvo de onze investigações no STF em consequência da Lava Jato. Aliás, a excelente Lava Jato que está acabando com um pernicioso diminutivo: o jeitinho brasileiro da impunidade.

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