‘Difícil encontrar palavras’, diz Mica Galvão após prisão do pai suspeito de abuso

Atleta pede rigor em investigação contra o pai, Melqui Galvão; treinador foi detido temporariamente após queixa de três vítimas

Mica Galvão
Mica Galvão se pronuncia após prisão do pai, Melqui Galvão Foto: Reprodução/ Redes Sociais

O multicampeão de jiu-jitsu Mica Galvão, de 22 anos, pronunciou-se por meio das redes sociais, nesta quarta-feira, 29, sobre a prisão de seu pai, o professor e policial civil amazonense Melqui Galvão, sob suspeita de abusos sexuais contra alunas.

No post, o jovem afirmou que vive um momento difícil, destacou sua relação com o pai e defendeu que as queixas sejam apuradas com rigor pelas autoridades.

“É difícil encontrar palavras para um momento como esse. Meu pai, Melqui Galvão, foi quem me colocou no tatame pela primeira vez, ainda criança. Foi ele quem me ensinou a lutar, a competir, a respeitar o adversário e a ter caráter”, escreveu.

“Ao mesmo tempo, me sinto na obrigação de ser honesto: que os fatos sejam investigados com seriedade e que a Justiça cumpra seu papel”, emendou.

O multicampeão ainda repudiou qualquer tipo de violência “contra mulheres e crianças — esse é o valor que carrego e que não abre exceção”. Mica Galvão ressaltou que não tem todas as respostas neste momento e que está “processando” a situação como filho e como atleta. Segundo ele, o foco agora é seguir com as responsabilidades profissionais e com a equipe que representa.

A investigação e a prisão

Após apuração de relatos de abusos envolvendo três vítimas, a 8ª DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) decretou a prisão temporária de Melqui Galvão.

O caso veio à tona depois que uma adolescente de 17 anos registrou queixa contra o ex-treinador por suposta prática de atos libidinosos sem consentimento, durante uma competição esportiva realizada fora do Brasil. A vítima está atualmente nos Estados Unidos e foi ouvida pelas autoridades, junto com familiares.

Os denunciantes apresentaram uma gravação na qual o investigado admite indiretamente o ocorrido e tenta evitar que o caso seja levado adiante, com a promessa de compensação financeira.

No decorrer das investigações, foram constatadas outras duas possíveis vítimas, identificadas em diferentes estados do país. Durante depoimento, elas relataram episódios semelhantes. Em um dos casos, a vítima afirmou que tinha 12 anos na época dos fatos.

Melqui Galvão apresentou-se às autoridades em Manaus, após retornar ao estado depois de uma viagem. Além da prisão temporária, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele em Jundiaí, no interior de São Paulo.