Dieselgate: Justiça alemã possibilita julgamento de dirigentes da Volkswagen

Dieselgate: Justiça alemã possibilita julgamento de dirigentes da Volkswagen

A Justiça alemã abriu o caminho nesta terça-feira (24) para julgar dois atuais executivos da Volkswagen e o ex-CEO por “adulterar o curso do mercado de ações”, no âmbito do escândalo dos motores diesel manipulados, que ficou conhecido como “Dieselgate”.

O atual diretor-executivo da montadora alemã, Herbert Diess, o presidente do conselho de supervisão, Hans Dieter Potsch e o ex-presidente do comitê executivo, Martin Winterkorn, foram acusados de “informar consciente e tardiamente os mercados financeiros sobre as consequências financeiras do escândalo”.

“Isso influenciou o mercado de ações da Volkswagen”, disse o promotor de Brunswick, encarregado do processo em um comunicado.

Os eventos datam de setembro de 2015, quando Hans Dieter Potsch era o diretor financeiro do grupo, que comercializa 12 marcas de veículos.

Seu então presidente-executivo, Martin Winterkorn, reconheceu a manipulação de dados de motores a diesel nos Estados Unidos e em todo mundo, com o objetivo de mostrar níveis de emissões de poluentes abaixo da realidade.

Herbert Diess dirigia o grupo de abril de 2018 e era diretor da marca Volkswagen desde julho de 2015.

– Suspeitas –

Para a Procuradoria, estes três diretores tinham conhecimento da fraude várias semanas, ou até mesmo meses antes, e demoraram a reagir.

Poderiam ter enviado antes uma comunicação oficial ao mercado. Segundo a acusação, de 636 páginas, Winterkorn estava a par “desde maio de 2015”; Potsch, seu diretor financeiro, “desde 29 de junho de 2015”; e Diess, responsável pela marca Volkswagen, “desde 27 de julho de 2015” sobre a manipulação e seus possíveis consequências.

Descoberto nos Estados Unidos, o escândalo se propagou imediatamente pelo mundo todo. A Volkswagen teve de revelar que havia equipado 11 milhões de seus automóveis a diesel com um programa alterado.

Estas revelações provocaram uma forte queda do preço das ações da Volkswagen, com enormes perdas para milhares de pequenos e grandes acionistas. Ao mesmo tempo, um processo judicial coletivo foi aberto por aqueles que se sentiram prejudicados.

– Surpresa –

Os advogados de defesa de Winterkorn se declararam “surpresos” nesta terça com a decisão do procurador de Brunswick, referindo-se a um ato “incompreensível”.

Ainda à frente do grupo de Wolfsburgo, Diess afirmou em setembro, em uma entrevista à AFP, durante o Salão de Automóveis de Frankfurt, que “de modo algum” renunciaria se fosse processado.

O tribunal de Brunswick provavelmente aprovará o julgamento, que não será o único. Martin Winterkorn se prepara para outro processo, desta vez por “fraude agravada”, “abuso de confiança” e “violação da lei contra a concorrência desleal”, junto com outros quatro acusados.

Também está na mira o ex-presidente da marca Audi Rupert Stadler, que teve de se apresentar mais uma vez à Justiça no final de julho.

Desde 2015, os dois sucessores de Winterkorn tentaram, em vão, virar a página e pôr fim ao escândalo que abalou o fabricante e todo setor do automóvel alemão, motor industrial do país.

O “Dieselgate” já havia custado ao grupo de Wolfsburgo mais de 30 bilhões de euros em multas, gastos com a Justiça e indenizações de clientes.

O valor da ação do grupo chegava na tarde desta terça a 152,7 euros, uma diminuição de 2,70%. Em setembro de 2015, já havia caído de 162 euros para algo em torno de 90 euros nos dias que se seguiram à explosão do escândalo.