Diáspora iraniana, atenta e esperançosa após bombardeios dos EUA e Israel

Em plena noite, buscam qualquer informação que possa chegar de seu país, o Irã. Atentos e cheios de esperança, os iranianos da Turquia se mostram preparados para celebrar o fim do regime vigente em Teerã.

“Todo mundo está esperando e está contente”, diz Ali, um diretor de cinema iraniano de cerca de 40 anos, que vive em Istambul. Como o restante de seus compatriotas com quem a AFP entrou em contato neste sábado (28), ele prefere que seu sobrenome não seja publicado.

A Turquia, um país majoritariamente sunita, compartilha 550 km de fronteira e três postos de passagem com seu grande vizinho xiita.

Oficialmente, mais de 72 mil iranianos residem na Turquia com permissão de estadia, e outros 5 mil o fazem como refugiados.

“Os iranianos contavam os minutos até que os americanos viessem derrubar o regime”, afirma Ali. “E agora é o que os Estados Unidos e Israel estão fazendo!”, diz, celebrando uma “operação humanitária”.

“Não agir é não valorizar a vida humana e optar por apoiar um regime terrorista”, assinala.

Como sua amiga Sepideh, Ali é um fervoroso simpatizante de Reza Pahlavi, o filho do xá do Irã deposto. Ambos esperam que o ex-príncipe herdeiro possa liderar a transição.

“Estou feliz e preocupada”, comenta Sepideh, uma ex-professora que vive na Turquia como refugiada.

“Consegui me comunicar com meus amigos esta manhã, mas cortaram a internet no Irã”, conta.

“Todos os iranianos estão prontos! Assim que Reza Pahlavi der a ordem, voltaremos, não ficaremos nem mais um minuto no exterior”, assegura por sua vez Amir Hossein.

“Voltaremos para construir um Irã grandioso”, acrescenta o cantor, natural de Teerã.

– “Sobreviveremos” –

Mehdi, um jovem engenheiro de origem azeri e natural de Tabriz, no oeste do Irã, exilou-se na Turquia junto com a esposa. Segundo conta, conseguiu falar com a família na noite passada.

“Eles esperavam que uma guerra estourasse e foram guardando mantimentos e gasolina para ir para o campo”, explica.

“Nós não queríamos a guerra, é o regime brutal dos mulás que nos colocou nesta situação”, acrescenta, e ressalta que não apoia “nem Israel nem [o presidente americano, Donald] Trump”, nem tampouco o retorno de Reza Pahlavi.

“Anunciam-se dias difíceis”, prevê. “Mas sobreviveremos”, pontua.

Para todos, esta guerra que começa representa uma oportunidade de vingar a morte e as detenções de dezenas de milhares de manifestantes, principalmente jovens, durante a grande onda de protestos em janeiro, duramente reprimida.

Nina, uma mulher de cerca de 30 anos, originária de Tabriz, mas que vive na Turquia há quatro anos, aponta que “se não conseguirmos derrubar o regime agora, haverá ainda mais massacres”.

Reza, de 39 anos, também não aprova a guerra, mas pondera: “Preferimos isso a que eles [as autoridades] matem nossos filhos”.

Como Nina, ele também espera que os bombardeios deste sábado incentivem os iranianos a voltar às ruas, não como ocorreu durante a guerra de 12 dias de junho passado.

“Isto é muito diferente, o regime vai mudar. Da última vez, as pessoas não se preocupavam verdadeiramente com isso e eram passivas. Mas agora estavam esperando que Trump e Israel as ajudassem. Estão muito furiosas. Cerca de 40 mil pessoas morreram e esperam, como um lobo, a ocasião de se vingar”, acrescenta.

Segundo afirma, está convencido de que desta vez “os americanos e os israelenses terminarão o trabalho”.

– “Nem monarquia nem ditadura” –

Membros da diáspora iraniana na Europa se reuniram para expressar sua solidariedade em várias cidades neste sábado.

Em Londres, cerca de 300 pessoas se manifestaram com bandeiras iranianas em frente à residência e aos escritórios do primeiro-ministro, e alguns marcharam em direção à embaixada iraniana, observou um repórter da AFP.

Dezenas de manifestantes pacifistas gritaram “Não intervenham no Irã” e “Parem de matar crianças”.

Cerca de 20 pessoas se manifestaram diante da embaixada iraniana em Bruxelas, algumas exibindo bandeiras iranianas anteriores à revolução, agora símbolo de oposição à atual liderança.

Em Berlim, uma concentração em frente à embaixada iraniana denunciou tanto o governo quanto o filho do xá, defendendo que “não haja nem monarquia nem ditadura dos mulás”, mas sim “democracia e igualdade”.

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