Diário da pandemia: Dois anos depois, se chorei ou se sorri, emoções eu vivi

Diário da pandemia: Dois anos depois, se chorei ou se sorri, emoções eu vivi

Em fevereiro de 2020, eu assistia a um jogo da NFL em NY, ao lado de sei lá quantos pinguços, enchendo a cara de cerveja e a pança de asinhas de frango. Na TV, no intervalo, cenas de Londres, Paris, Roma e outras capitais europeias desertas, após o desembarque do maldito novo coronavírus, descoberto em janeiro, na China, nas ruas daqueles países.

Incrivelmente, todos assistiam àquelas imagens e continuavam bebendo, rindo e comendo, como se tudo não passasse de um filme ruim de ficção, e não da mais pura e assustadora realidade, voando a jato em direção aos Estados Unidos da América. Eu, em particular, olhava ao redor e pensava: isso não chegará aqui. Afinal, são os EUA, pô!

De volta ao Brasil, continuei minha profissão de fé negacionista. Donald Trump já havia fechado todas as fronteiras americanas; Nova York congelava seus mortos em caminhões frigoríficos nas ruas; a Europa já não conseguia contar as vítimas fatais, e eu ia a aniversários e a shows lotados, como se o Brasil ficasse em Marte, e não na Terra.

LOCKDOWN

Somente em 13 de março é que fui finalmente nocauteado pela realidade. Alexandre Kalil, prefeito de BH, decretou lockdown; meus negócios pararam; minha filha foi colocada em férias escolares e minha casa se transformou num abrigo anti-covid, por causa da minha mãe que morava comigo (tinha 80 anos e uma saúde muito frágil).

Dali em diante perdi parte do juízo. Entrei em pânico, chorei, praguejei, lamentei, fantasiei e me tornei o Gandhi em pessoa. Participei de todas as campanhas de ajuda, acolhi quem eu podia e não podia, e tratei de planejar e de cuidar de cada detalhe da minha família e da minha empresa. O importante era sobreviver e manter todos vivos ao meu redor.

Durante meses eu venci a batalha contra o maldito corona. Meu negócio continuava de pé; todos os meus estavam seguros e relativamente bem, financeiramente falando; a ciência e a medicina me enchiam de esperança, com notícias alvissareiras; minha filha estava se saindo bem na escola e em suas emoções. Eu não tinha, enfim, do que reclamar.

MINHA MÃE

Infelizmente, por um descuido meu – ou do hospital, vá saber -, minha mãe, após três internações sucessivas, acabou contraindo a doença, que terminou de exaurir o restinho de força que lhe restava. Na boa, hoje, acho que devo um ‘obrigado’ ao vírus. O maldito acabou cumprindo um bom papel e abreviou o sofrimento que estava por vir.

A morte da minha mãe acabou por me fazer ignorar completamente a pandemia, afinal, o que mais eu tinha a perder? Eu próprio, e minha esposa, havíamos ficado doentes e nos recuperamos muito bem. Dali em diante, a partir de 2021, com a chegada das vacinas, tudo seria muito mais fácil e leve. E de fato, assim o foi. Felizmente.

Livre, leve e solto, com minha filha estudando remotamente e o Brasil sem vacinas, graças ao negacionismo deste desgoverno homicida, me mandei para Nova York outra vez, e por lá fiquei até o final do ano passado. Compromissos de campeão – os atleticanos sabem do que estou falando – me fizeram retornar ainda em 2021 (e que seja breve, hehe).

ESPERANÇA

Hoje, um ano após a morte da minha mãe; dois anos após o início da pandemia no mundo; cerca de 20 meses desde o lockdown em BH; triplamente vacinado – rumando para a quarta dose, daqui a dois meses, se recomendado pela Pfizer -, me sinto muito mais forte e confiante para enfrentar essa nova onda, causada pela variante ômicron.

Os imunizantes, a despeito dos malditos anti-vacinas, estão segurando a barra da humanidade. Enquanto explode o número de casos, desaba o número de hospitalizações e de mortes dentre os vacinados. Medicamentos via-oral começam a ser ministrados com algum sucesso, e novas drogas estão a caminho, ainda mais eficazes.

Acredito, sinceramente, que falta pouco para essa tragédia terminar. Na minha opinião, não emplaca em 2023. O momento é, portanto, de se cuidar por mais algum tempo e de cuidar de quem amamos – e de quem nem sequer conhecemos. Em nome da vida e em homenagem a quem se foi. A humanidade irá prevalecer, e somos parte dessa história.

ENCERRO

Encerro com duas mensagens: uma de otimismo e outra de solidariedade. Sejam fortes e resilientes. Sobretudo, sejam racionais! Não se desesperem sem motivo, pois o mundo não irá acabar. Ao mesmo tempo, informem-se adequadamente, ou seja, jamais pelo WhatsApp ou a tia da vizinha. Mandem os terraplanistas às favas. Vacinem-se todos.

Por fim, por mais que a saudade rasgue o coração, lembrem-se do tempo em que estiveram ao lado de seus queridos. Sim, eles se foram, é verdade. Mas as lembranças, não. Vivam com elas e tentem ser felizes. Comigo, juro!, tem dado certo. Minha mãe está comigo todos os dias, em cada pequeno detalhe. Como diria o grande Spock: vida longa e próspera! Boa sorte a todos.


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Sobre o autor

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.


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