Brasil, Espanha e México pedem diálogo ‘sincero e respeitoso’ com Cuba

Países de esquerda pressionam por solução pacífica e ajuda humanitária em meio à crise e bloqueio na ilha caribenha

Lula
Primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Barcelona Foto: REUTERS/Nacho Doce

Os governos do Brasil, Espanha e México instaram neste sábado (18) a manutenção de um diálogo com Cuba “sincero e respeitoso”, buscando assegurar a plena liberdade de escolha do futuro para os cubanos. Em um comunicado conjunto, os três países expressaram profunda preocupação com a “dramática situação” na ilha, intensificada pelo bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos desde janeiro.

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O que aconteceu

  • Brasil, Espanha e México pedem “diálogo com Cuba” para garantir que o povo cubano decida seu futuro livremente.
  • Os países manifestam “enorme preocupação” com a grave crise humanitária na ilha, agravada pelo bloqueio energético dos EUA.
  • Os governos prometem intensificar a ajuda humanitária coordenada e alertam contra ações que agravem a situação ou violem o direito internacional.

Sem fazer referência direta aos Estados Unidos além do bloqueio, os três países, governados por líderes de esquerda, destacaram a urgência de uma solução. O comunicado, divulgado pela chancelaria mexicana, reforça um chamado a um diálogo “sincero, respeitoso e em conformidade” com o direito internacional.

Preocupação internacional

Na declaração conjunta, emitida no sábado, 18 de abril, os governos do Brasil, Espanha e México reiteraram sua “enorme preocupação” com a crise humanitária e a necessidade de respeitar a “integridade territorial” da ilha. Diante da “evolução da situação” em Cuba, os três governos alertam para a “situação dramática” enfrentada pela população e pedem medidas para aliviar o sofrimento, evitando ações “que agravem as condições de vida da população ou sejam contrárias ao direito internacional”.

Em um esforço coordenado, Brasil, Espanha e México se comprometem a intensificar a ajuda humanitária. “Estamos empenhados em aumentar nossa resposta humanitária de forma coordenada, visando aliviar o sofrimento do povo cubano”, afirma o comunicado. O documento também reitera a importância de “respeitar sempre o direito internacional e os princípios da integridade territorial, da igualdade soberana e da resolução pacífica de litígios, consagrados na Carta das Nações Unidas”.

Encontro de líderes em Barcelona

O apelo dos três países ocorre no momento em que se realiza em Barcelona o 4° Encontro em Defesa da Democracia. O evento conta com a presença de líderes como o presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que atua como anfitrião.

Os governos da Espanha, do Brasil e do México reafirmam seu compromisso “inabalável” com os “direitos humanos, os valores democráticos e o multilateralismo”. Eles apelam por um “diálogo sincero e respeitoso” com os EUA, visando uma “solução duradoura para a situação atual e garantir que o próprio povo cubano decida seu futuro em total liberdade”, conclui o comunicado.

Cuba em alerta: guerra ou diplomacia?

Neste sábado, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, declarou que a ilha não “aspira à guerra”, mas “tem a responsabilidade de se defender” contra uma hipotética intervenção militar dos EUA. A tensão aumenta em meio a notícias recentes e posicionamentos internacionais.

Cuba anunciou em 13 de março que havia iniciado um “diálogo” com os EUA, mas indicou que este se encontrava em “fases iniciais” e “longe” de qualquer acordo significativo. A cautela marca as relações entre os dois países.

Esta semana, a mídia americana revelou que o Pentágono está intensificando seus planos para uma possível intervenção militar em Cuba. Contudo, o Departamento de Defesa dos EUA pediu que a imprensa não especulasse sobre “cenários hipotéticos”, reforçando a incerteza sobre o futuro da ilha.

Com informações da AFP