Diagnóstico precoce de câncer de mama eleva sobrevida acima de 90%

Estudo italiano revela que identificar a doença em estágio I garante quase 99% de sobrevida em subtipos específicos

Imagem ilustrativa
Foto: Imagem ilustrativa

Um estudo recente, apoiado pelo Ministério da Saúde da Itália, reafirma que o diagnóstico precoce do câncer de mama é crucial para a sobrevida das mulheres. A pesquisa, que analisou dados de mais de 10.400 pacientes na região de Friuli Venezia Giulia, revela que a identificação da doença no estágio I eleva a sobrevida em 10 anos para mais de 90%.

  • O diagnóstico precoce do câncer de mama em estágio I garante mais de 90% de sobrevida em 10 anos, conforme estudo italiano.
  • A pesquisa destaca avanços terapêuticos significativos, que aumentaram a sobrevida de tipos agressivos de câncer, como HER2 positivo e triplo-negativo em estágio III.
  • O estudo, coordenado pelo Registro de Câncer de Friuli Venezia Giulia, enfatiza a importância dos registros de câncer de alta qualidade e a necessidade de investimentos contínuos em pesquisa.

De acordo com os achados, quando o carcinoma invasivo é identificado no estágio I, a sobrevida líquida em uma década supera 90% em todos os subtipos moleculares, alcançando 98,8% entre os tumores com receptores hormonais positivos e HER2 negativo.

Os dados foram coletados em um estudo coordenado pelo Registro de Câncer de Friuli Venezia Giulia (FVG), administrado pelo Instituto Nacional do Câncer de Aviano (CRO). Os resultados foram publicados recentemente na prestigiada revista internacional The Oncologist.

Como os dados foram analisados?

Pesquisadores analisaram informações de mais de 10.400 mulheres diagnosticadas com carcinoma invasivo de mama na região de Friuli Venezia Giulia, na Itália, entre os anos de 2004 e 2014. As pacientes foram monitoradas até o final de 2023, o que permitiu avaliar a evolução da sobrevida em longo prazo com precisão.

Segundo o CRO, este é o primeiro estudo italiano de base populacional a estimar a sobrevida em 10 anos considerando simultaneamente três fatores cruciais: o estágio do câncer no diagnóstico, o perfil molecular e o grau histológico do tumor. Essa abordagem multifatorial oferece uma visão mais completa e robusta do prognóstico da doença.

Avanços no tratamento de cânceres agressivos

A comparação entre mulheres diagnosticadas nos períodos de 2004-2009 e 2010-2014 revelou que as taxas de sobrevida permaneceram muito elevadas para os tumores descobertos no estágio I. Contudo, foram observados avanços importantes e notáveis em alguns tipos de câncer considerados mais agressivos e em casos localmente avançados, indicando o sucesso das novas abordagens terapêuticas.

Entre as pacientes com câncer de mama em estágio III, que apresentavam receptores hormonais negativos e HER2 positivo, a sobrevida líquida em 10 anos aumentou expressivamente de 48,6% para 87,9% entre os dois períodos analisados. Essa melhora significativa é um testemunho da eficácia das terapias direcionadas.

Nos casos de câncer de mama triplo-negativo em estágio III, considerado um dos subtipos de tratamento mais desafiador devido à sua agressividade, a taxa de sobrevida passou de 28,8% para 42,3%. Embora a taxa ainda seja menor, o aumento representa um progresso vital para essas pacientes.

Por que a pesquisa é fundamental?

Os resultados do estudo italiano indicam claramente que os avanços terapêuticos das últimas décadas contribuíram de maneira decisiva para melhorar o prognóstico de determinados grupos de pacientes. A medicina tem evoluído na compreensão e combate à doença.

De acordo com os pesquisadores, a evolução observada nos tumores HER2 positivos é compatível com a introdução e a adoção progressiva de terapias-alvo. Esses medicamentos são desenvolvidos especificamente para atuar sobre características moleculares do tumor, minimizando danos a células saudáveis.

Para Luigino Dal Maso, diretor de Epidemiologia do Câncer do CRO de Aviano e do Registro de Câncer de Friuli Venezia Giulia, “esses resultados demonstram por que um registro de câncer de alta qualidade constitui uma infraestrutura vital para a saúde pública e a pesquisa”. A precisão dos dados permite análises e intervenções mais eficazes.

O estudo permite observar os resultados obtidos na prática clínica ao longo dos anos e complementa as evidências produzidas por pesquisas sobre novos tratamentos. Apesar dos avanços significativos, os autores ressaltam que alguns subgrupos de pacientes continuam apresentando um prognóstico desfavorável.

Para esses casos, os resultados reforçam a necessidade premente de manter os investimentos em pesquisa. É igualmente crucial ampliar o acesso a tratamentos inovadores e garantir que todas as pacientes possam receber o diagnóstico e o tratamento de forma oportuna e adequada. (ANSA)

Leia mais

Vendas em agosto: carros chineses tiveram 23,1% do mercado e eletrificados foram 24,3% das vendas

Carro mais barato do Brasil, Renault Kwid 2027 tem novo visual, central de 10,1” e painel digital de 7”