Dezessete migrantes morrem em embarcação na costa das Ilhas Canárias

Dezessete migrantes morrem em embarcação na costa das Ilhas Canárias

Dezessete pessoas foram encontradas mortas em uma embarcação de migrantes na costa das Ilhas Canárias, informou nesta segunda-feira (26) o serviço de resgate marítimo da Espanha.

A embarcação foi avistada a cerca de 265 milhas náuticas (490 km) ao sudeste da ilha El Hierro e um helicóptero foi enviado para transportar três sobreviventes, disse uma porta-voz do serviço.

“Os três tinham hipotermia, mas no geral estavam bem”, disse à AFP, acrescentando que seriam transferidos para um hospital de El Hierro.

Os migrantes eram todos africanos subsaarianos, acrescentou.

Até o momento, não estava claro de onde o barco saiu.

Em meados deste mês, outros quatro migrantes foram encontrados sem vida no sul desta ilha em uma embarcação precária, que transportava 23 pessoas.

O arquipélago das Canárias está a mais de 100 km da costa marroquinas e, apesar de seu perigo, recebeu um grande número de migrantes africanos desde o final de 2019, coincidindo com uma maior vigilância nas rotas do Mediterrâneo.

Do início deste ano até 31 de março, 3.400 migrantes chegaram à costa dessas ilhas. No mesmo período em 2020, foram menos da metade.

Grupos de direitos humanos já alertaram que a crise da covid-19 incentiva a chegada de migrantes.

Entre eles encontram-se pessoas que trabalhavam no turismo, na pesca ou em outros trabalhos temporários no norte da África e que escolheram atravessar o Atlântico, ou ajudar outros a fazê-lo com os seus barcos, depois de terem ficado sem dinheiro devido ao colapso econômico provocado pela pandemia.

No ano passado, 1.851 pessoas morreram nessa rota, segundo a organização Caminando Fronteras, que monitora os fluxos migratórios.

A fundadora da ONG, Helena Maleno, tuitou que no último mês “ao menos” 283 pessoas desapareceram a caminho das Ilhas Canárias em cinco barcos diferentes da Mauritânia.

Por outro lado, cem migrantes tentaram nadar para o enclave espanhol de Ceuta a partir do vizinho Marrocos no último domingo, informou a polícia espanhola.

Os migrantes, incluindo menores, partiram em grupos de 20 a 30 ao longo do dia, afirmou um porta-voz da Guarda Civil em Ceuta.

Alguns conseguiram chegar sozinhos à praia de Ceuta, mas a maioria teve de ser resgatada por barcos de salvamento espanhóis, acrescentou.

“Não é normal: pode haver grupos de três, quatro ou cinco, mas não tantos”, informou o porta-voz da polícia.

Ceuta, juntamente com um segundo enclave espanhol no Norte da África, Melilla, têm as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com a África, tornando-as portas de entrada para migrantes em busca de uma vida melhor na Europa.