Um deslizamento de terra causado pelas fortes chuvas deixou quase 150 mortos em uma área de difícil acesso no sul da Etiópia, o pior desastre do gênero no país africano.

As autoridades da zona administrativa de Gofa relataram 146 mortes. No entanto, a rádio pública etíope EBC falou em 157 mortos, citando a autoridade responsável da área, e explicou que foram encontrados cinco sobreviventes.

Este é o deslizamento de terra mais mortal registrado até agora na Etiópia, o segundo país mais populoso do continente africano, com 120 milhões de habitantes.

“Um total de 146 corpos foram encontrados, dos quais 96 homens e 50 mulheres”, disse Habtamu Fetena, chefe de relações públicas de Gofa, em comunicado, alertando que o número de mortos pode aumentar.

Segundo o administrador da zona de Gofa, Dagemawi Ayele, citado pela EBC, a maior parte das vítimas morreu soterrada na segunda-feira (22), quando tentavam ajudar os habitantes de uma casa.

O acidente ocorreu no ‘kebele’ (divisão administrativa) de Kencho, localizado no ‘woreda’ (distrito) de Geze-Gofa, uma área rural, montanhosa e de difícil acesso, a mais de 450 quilômetros e a dez horas de carro de Adis Abeba, a capital da Etiópia.

“Aqueles que correram para salvar vidas morreram… incluindo o administrador local, professores, profissionais de saúde e agricultores”, disse Dagemawi, citado pela EBC.

Um etíope residente em Nairóbi, originário da região, descreveu a zona da tragédia como rural, isolada e montanhosa e explicou que como o solo não é firme “quando chove muito, afunda e cai imediatamente”.

O presidente executivo da União Africana, Moussa Faki Mahamat, expressou na rede X a sua “solidariedade com o povo e o governo etíope”.

Fotos postadas no Facebook pelas autoridades mostram uma multidão no sopé de uma colina que praticamente desmoronou.

Também aparecem pessoas tentando retirar corpos de uma espessa camada de argila avermelhada com pás, enxadas ou diretamente com as mãos. Outros carregam corpos cobertos com uma lona ou lençol em macas feitas de galhos.

Esta região do sul da Etiópia é uma das mais afetadas pelas cheias de abril e maio, durante a época das chuvas.

O deslizamento de terra mais mortal da África ocorreu em 14 de agosto de 2017 em Freetown, capital da Serra Leoa, deixando 1.141 mortos.

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